A soberania de dados depende da existência de data centers locais e de infraestrutura capaz de manter informações sensíveis dentro do território em que devem ser protegidas. A avaliação é de Alexandre Colcher, vice-presidente de contas estratégicas de telecomunicações para a América Latina da Oracle, em entrevista ao Tele.Síntese.
Para ele, a soberania não está necessariamente ligada à nacionalidade da empresa que fornece a tecnologia, mas à localização e ao isolamento dos dados. “[O fundamental] é isolar [a estrutura] de uma forma que os dados estejam simplesmente limitados e não acessíveis fora da região”, disse.
Essa visão explica parte da estratégia da multinacional no país. “Temos data center local, temos servidores que a gente importa, e que são completamente white label para os operadores gerirem e implementarem as suas redes”, afirmou Colcher.
Segundo o executivo, as operadoras de telecomunicações estão em posição relevante para participar da construção de redes soberanas no Brasil, em parceria com provedores de tecnologia e hyperscalers.
A seu ver, muitos sistemas das operadoras no Brasil já estão em nuvem, mas nem todos exigem o mesmo grau de localização e proteção. Dados sem restrição podem rodar em data centers fora do país, enquanto informações altamente reguladas exigem outra arquitetura.
ReData é visto como incentivo necessário
Ao tratar do ReData, regime especial voltado à importação de bens para data centers, Colcher defendeu medidas que favoreçam o desenvolvimento do mercado de cloud e inteligência artificial no Brasil.
“Nós somos um grande importador de tecnologia. Então, a gente acredita que o futuro tecnológico, o posicionamento do Brasil como uma potência mundial, tanto no mundo cloud quanto no mundo AI, é dependente de o governo criar situações que favoreçam o mercado”, opinou.
O PL do ReData está travado, sem previsão de votação no Senado Federal. Colcher segue esperançoso: “Estamos torcendo que isso se resolva o quanto antes, porque tem muita coisa para a gente fazer e acelerar.”
Oportunidades para as teles
Na avaliação da Oracle, bancos, saúde, governo, pesquisa e desenvolvimento e instituições de ensino estão entre os segmentos que podem demandar serviços soberanos ou com maior proteção de dados por parte das operadoras de telecomunicações.
Além disso, avalia, as empresas de telecomunicações podem se posicionar como provedoras de uma rede nacional de data centers ao ofertarem serviços de soberania e proteção para aplicações de inteligência artificial.
Colcher também avaliou que a oportunidade das operadoras com inteligência artificial não deve ficar restrita à revenda de acesso a modelos de linguagem ou a planos associados a ferramentas de IA generativa. Para ele, esse movimento é apenas uma etapa inicial.
Na visão do executivo, a monetização mais ampla passa por infraestrutura de IA como serviço e por produtos verticais voltados ao mercado corporativo. Ele citou aplicações para bancos, saúde e atendimento como oportunidades.
Para Colcher, as operadoras que conseguirem combinar redução de custos internos com desenvolvimento de produtos digitais terão melhores condições de capturar valor com a inteligência artificial.
O post Oracle vê telcos como base da nuvem soberana no Brasil apareceu primeiro em TeleSíntese.
