América Latina precisa superar entraves e fragmentação para atrais mais investimentos digitais

Assim como o Brasil, a América Latina atravessa uma fase de expansão da infraestrutura digital, sustentada pelo avanço de serviços em nuvem, IA e aplicações intensivas em dados, mas ainda precisa superar gargalos regulatórios, energéticos e de coordenação regional para consolidar esse movimento.

A síntese foi apresentada em painel no evento Capacity Latam ontem, 18, que contou com a mediação de Elisabeth Simão, da Cambridge Management Consulting, e a participação de João Walter, da Ascenty; Daniel Peiretti, da Cirion; e Alessandro Molon, da Dig.ia.

Painel encerramento Capacity LATAM América Latina
Alessandro Molon, da Dig.ia, Elisabeth Simão, da Cambridge Management Consulting, João Walter, da Ascenty e Daniel Peiretti, da Cirion

Região amplia escala e busca novo posicionamento

Um dos pontos centrais da discussão foi a mudança de papel da região no mercado digital. A avaliação apresentada pelos participantes é que a América Latina deixa de ser vista apenas como mercado consumidor e passa a reunir condições para abrigar processamento, armazenamento e circulação de dados em maior escala.

“A gente está vendo uma mudança clara: não é mais só consumo. A América Latina começa a participar da produção e do processamento de dados em escala”, afirmou João Walter.

Esse movimento acompanha a expansão de data centers de maior porte, redes de alta capacidade e projetos voltados a aplicações que exigem menor latência e maior poder computacional. A leitura predominante no encerramento do evento foi a de que a região entrou no radar de investidores interessados em infraestrutura digital de longo prazo.

Integração da infraestrutura física

Os debatedores também ressaltaram que a nova etapa de crescimento exige articulação entre diferentes camadas da infraestrutura. Data centers, redes terrestres e cabos submarinos foram tratados como componentes interdependentes de uma mesma estratégia.

“Não dá mais para pensar em data center isolado da rede ou da conectividade internacional. Tudo precisa estar conectado desde o início do projeto”, destacou Alexandre Molon.

Energia aparece como limite para a expansão

A disponibilidade de energia foi apontada como um dos principais desafios para o avanço da infraestrutura digital na região. Mais do que geração, os participantes destacaram a necessidade de garantir transmissão e entrega dessa energia nos locais onde os investimentos estão sendo direcionados.

“Não é só ter energia, é fazer a energia chegar onde os investimentos estão indo. Esse é o grande ponto”, afirmou Daniel Peiretti.

Ambiente regulatório segue como obstáculo

A simplificação regulatória foi um dos pontos mais recorrentes da conversa. “Se nós removermos os obstáculos regulatórios, tudo indica que os investimentos podem vir para cá. Nós temos vantagens competitivas, mas temos um desafio que é basicamente regulatório”, afirmou Molon. “Além disso, hoje você precisa falar com vários órgãos para viabilizar um projeto. Isso cria um tempo que o investimento não espera”, acrescentou.

O caso dos cabos submarinos foi mencionado como exemplo de área em que a simplificação de autorizações pode acelerar investimentos e reduzir incertezas.

Além da regulação, foi tratada a importância de incentivos e previsibilidade para destravar capital. “Existe interesse em investir na região, mas o capital precisa de previsibilidade. Sem isso, ele vai para outros mercados”, destacou João Walter.

Os executivos indicaram que a fragmentação entre os mercados latino-americanos ainda limita o potencial da região como hub global. “A gente ainda opera como mercados separados. Para competir globalmente, precisamos pensar como região”, disse Walter.

A avaliação final dos participantes foi a de que a América Latina vive uma janela concreta de oportunidade para ampliar sua participação na economia digital global. Esse avanço, porém, dependerá da capacidade de coordenar investimentos, remover entraves e transformar vantagens comparativas em execução. “Os investimentos querem vir para cá, se a gente não atrapalhar, já ajuda muito”, resumiu Molon.

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