O Brasil vem ampliando sua atratividade para investimentos em infraestrutura digital, em meio ao aumento da demanda por computação em nuvem, IA, streaming e outras aplicações intensivas em dados. A avaliação foi apresentada em painel realizado no Capacity LATAM ontem, 18, com participação de Maria Jose Peralta, da PIT Chile; Vincent Gatineau, da EllaLink; e Carlos Padilha, da ApexBrasil.

Para os painelistas, o país reúne fatores que vêm sustentando essa nova rodada de investimentos, como mercado consumidor, conectividade internacional, oferta de energia e possibilidade de expansão da infraestrutura para além dos polos tradicionais. O painel também indicou que a combinação entre data centers, cabos submarinos e suprimento energético passou a ser tratada de forma mais integrada por investidores e agentes públicos.
Demanda digital pressiona expansão da infraestrutura
O crescimento de serviços digitais tem elevado a necessidade de capacidade de processamento, armazenamento e transporte de dados. Nesse contexto, a expansão de aplicações de inteligência artificial e nuvem foi apontada como um dos vetores centrais da nova fase de investimentos.
Segundo os debatedores, o Brasil concentra parte relevante da demanda digital da América Latina, o que ajuda a explicar o aumento do interesse de investidores internacionais. Carlos Padilha afirmou que a construção da estratégia de atração de capital busca alinhamento com o setor produtivo. “Estamos tentando construir uma estratégia para o Brasil que não seja imposta pela ApexBrasil, mas construída com o setor privado, entendendo as necessidades da indústria e seu potencial”, disse.
Energia ganha peso nas decisões de investimento
A energia apareceu no debate como um dos principais fatores para a viabilidade de projetos de infraestrutura digital. Padilha observou que o avanço das cargas de trabalho associadas à IA tende a elevar o peso desse insumo na operação dos data centers. “Hoje, data centers tradicionais usam cerca de 25% de seus custos com energia, e isso pode chegar a 50%”, afirmou.
Cabos submarinos e novas rotas de dados
A conectividade internacional foi outro eixo central da discussão. Vincent Gatineau afirmou que a expansão de rotas de cabos submarinos vem alterando a lógica histórica de concentração do tráfego nos Estados Unidos. “Geograficamente, Fortaleza está mais próxima da Europa do que de Miami, o que permite reduzir latência e criar novas possibilidades de conexão”, disse.
Segundo Gatineau, a criação de conexões diretas entre Brasil e Europa era vista inicialmente como uma aposta menos convencional, mas passou a ganhar espaço com a evolução da demanda. Na avaliação do executivo, a diversificação dessas rotas contribui para ampliar a resiliência da infraestrutura e reduzir dependências concentradas em poucos pontos.
Descentralização regional entra no radar
O painel também tratou da distribuição geográfica dos investimentos. Embora a infraestrutura digital brasileira permaneça concentrada no eixo Rio-São Paulo, foi apontado um espaço para avanço em outras regiões, em especial no Nordeste. Gatineau destacou que ampliar as opções regionais é parte da estratégia de resiliência. “Para ter autonomia, é preciso ter opções e não depender de uma única rota ou região”, afirmou.
Fortaleza foi citada como ponto estratégico para a conectividade internacional, mas a avaliação apresentada no debate é que outras áreas podem ganhar relevância à medida que combinem oferta de energia, posição logística e capacidade de implantação de infraestrutura.
Papel de articulação com investidores
Padilha explicou que a ApexBrasil vem atuando na aproximação entre empresas, associações, financiadores e investidores interessados em operar no país. “Nosso papel é reduzir a assimetria de informação e ajudar investidores a entender como operar no Brasil”, disse.
De acordo com ele, esse trabalho envolve mapeamento de oportunidades regionais e articulação com instituições financeiras e órgãos regulatórios. A leitura apresentada no painel é que a consolidação do Brasil como polo de infraestrutura digital dependerá não apenas da entrada de capital, mas da execução dos projetos e da coordenação entre conectividade, energia e capacidade computacional.
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