A Brasscom defendeu nesta quarta-feira, 13, que a educação profissional e tecnológica seja orientada à formação de mão de obra para inteligência artificial, internet das coisas, cibersegurança, computação em nuvem, big data e manufatura avançada. A posição foi apresentada em audiência pública da Frente Parlamentar em Favor da Educação Profissional e Tecnológica, no Senado Federal.
A audiência teve como tema “Inovação, Tecnologias Emergentes e Estratégia Nacional para a Educação Profissional e Tecnológica” e contou com participação de representantes da Brasscom, ABDI, Senai, Senac Nacional e Fundação Dom Cabral.
Tecnologias emergentes
Na apresentação, a Brasscom relacionou a educação profissional ao avanço de tecnologias aplicadas à economia real. O material cita inteligência artificial, IoT, cloud e big data, energias renováveis, biotecnologia, mobilidade elétrica, manufatura avançada e cibersegurança como áreas que devem orientar a formação de novos profissionais.
A entidade também associou a agenda à proteção de infraestrutura crítica, à transição energética e ao uso de plataformas digitais, automação e análise preditiva nos setores produtivos. O ponto central da apresentação é que a educação profissional deve responder à demanda gerada pela adoção dessas tecnologias.
Produtividade e indústria
A entidade apresentou um diagnóstico de estagnação produtiva no país. O material aponta que a produtividade total dos fatores ficou estagnada no Brasil, com rara exceção entre 2003 e 2010, e afirma que a janela do bônus demográfico brasileiro está se fechando.
A apresentação também contrapõe a evolução da produtividade na indústria e na agropecuária. Enquanto a indústria aparece com trajetória estagnada e baixa adoção tecnológica, a agropecuária é apresentada como caso de eficiência, com crescimento associado ao uso de tecnologia.
Com base nesse diagnóstico, a Brasscom defendeu que a educação profissional e tecnológica seja usada como instrumento de modernização da indústria e de formação de técnicos especializados para setores como agronegócio, energia, tecnologia da informação e infraestrutura digital.
Sergio Sgobbi, da Brasscom, lembrou que o país “chegou quase a R$919 bilhões movimentados no setor no ano passado, de produção no setor de tecnologia da informação e comunicação”, afirmou. Segundo ele, o segmento reúne 962 mil empresas, 2,1 milhões de trabalhadores e teve crescimento nominal de 15%.
Estratégia nacional
Ele propôs uma estratégia nacional para a educação profissional com sete pilares: alinhamento estratégico, modernização curricular, infraestrutura, desenvolvimento docente, integração com a indústria, avaliação global e protagonismo do jovem.
Entre as metas para 2030, o material prevê elevar as matrículas em educação profissional técnica de nível médio de 1,85 milhão para 4,8 milhões. Também propõe ampliar de 21% para 50% a participação de escolas de ensino médio com formação técnica.
A Brasscom também apresentou como metas elevar de cerca de 30% para 80% o percentual de docentes com formação tecnológica atualizada e aumentar de aproximadamente 40% para 90% a proporção de egressos empregados na área de formação em até seis meses.
Soberania tecnológica
A entidade ainda argumentou que a educação profissional deve ser tratada como investimento em infraestrutura cognitiva. Na avaliação apresentada, a formação técnica tem efeito sobre competitividade, arrecadação e soberania nacional.
O material sustenta que profissionais formados em áreas tecnológicas podem contribuir para reduzir dependências externas, ampliar a inovação e atender à demanda de setores que dependem de competências digitais. A Brasscom também relacionou a agenda à autonomia profissional dos jovens, com defesa de orientação vocacional precoce, atualização curricular e maior integração entre escolas, empresas e Estado.
Participaram Claudio Makarovsky, da Fundação Dom Cabral e UnIBP; Sergio Sgobbi, da Brasscom; Antônio Henrique Borges Paula, do Senac Nacional; Marilza Machado Gomes Regattieri, do Senai; e Bruno Jorge, da ABDI.
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