Parceria Arduino e Qualcomm leva IA local para a educação

Jason Strickland, gerente de contas de educação, da Qualcomm, apresentou, nesta terça-feira, 24, em Brasília, durante evento do Tele.Síntese, Edtechs – O Futuro da Educação Agora, a estratégia da empresa para aproximar a inteligência artificial (IA) do ambiente escolar por meio de hardware aberto, processamento local e ferramentas simplificadas de desenvolvimento. A proposta, segundo ele, é permitir que alunos e professores não apenas usem aplicações prontas, mas também criem e testem seus próprios modelos de IA em sala de aula.

Arduino na Qualcomm,

Na apresentação, Strickland afirmou que a missão da Arduino permanece a mesma após sua integração à Qualcomm: “empoderar qualquer um para inovar”, tornando tecnologias complexas mais simples de usar. Ele destacou ainda que a empresa seguirá com sua base open source, mantendo abertos os arquivos de hardware e o ecossistema de software que sustentam sua atuação em educação, prototipagem e indústria.

O principal exemplo citado pelo executivo foi a Uno Q, placa desenvolvida em parceria entre Arduino e Qualcomm. Segundo Strickland, trata-se do primeiro produto criado conjuntamente pelas duas empresas, reunindo recursos mais avançados de processamento para ampliar aplicações de IoT e inteligência artificial. Ele explicou que a placa utiliza o processador QRB2210, adota arquitetura com dois chips e roda Debian 12 Linux, o que permite ao equipamento funcionar não apenas conectado a um PC, mas também como um computador de placa única.

A seu ver, esse tipo de arquitetura pode mudar a forma de ensinar IA. Em vez de depender sempre de serviços em nuvem, Strickland afirmou que há uma demanda crescente por plataformas seguras capazes de manter o processamento no próprio dispositivo. Ao responder a uma pergunta ao final da apresentação, reforçou que, uma vez treinado, o modelo pode permanecer armazenado e operando localmente na placa. Com isso, o estudante pode continuar usando a aplicação mesmo fora da escola e sem conexão constante à internet, ponto que ele relacionou diretamente aos desafios de conectividade ainda presentes em vários contextos educacionais.

Na prática, a proposta apresentada por Strickland é deslocar o ensino de IA de um uso mais passivo para uma lógica de criação. Ele afirmou que muitos alunos já conhecem ferramentas como o ChatGPT, mas defendeu uma mudança de enfoque: em vez de apenas recorrer a sistemas prontos para obter respostas, os estudantes deveriam aprender a construir seus próprios modelos.

O executivo citou exemplos de aplicações que podem ser desenvolvidas com relativa rapidez no ambiente educacional, como reconhecimento facial, detecção de anomalias, classificação de imagens, identificação de palavras-chave e reconhecimento de sons. Segundo ele, parte desses projetos pode ser iniciada por estudantes e educadores em menos de uma hora. Em uma das demonstrações mencionadas, afirmou que uma câmera conectada à placa pode distinguir em cerca de 15 minutos se a imagem à frente mostra um ser humano ou um gato.

Strickland também associou essa simplificação ao uso do software App Lab e à integração com a parceira Edge Impulse, que permitem montar programas com componentes pré-configurados, usar linguagens como Python e Arduino C e acessar exemplos prontos sem exigir do professor domínio avançado de toda a arquitetura técnica. A ideia, segundo ele, é reduzir a barreira de entrada para o ensino de programação, sensoriamento e IA embarcada.

Além da plataforma, ele informou que a empresa prepara iniciativas de conteúdo acadêmico no país. Disse que a Arduino trabalha com colegas e instituições educacionais no Brasil e que deve anunciar em breve materiais curriculares em português. Também citou a criação de um curso gratuito de certificação em IA em parceria com a Qualcomm Academy, voltado à capacitação sobre o uso da Uno Q e de suas funcionalidades.

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