Para CEO da Brisanet, ação da Anatel sobre ISPs irregulares pode acelerar consolidação

A Brisanet avalia que a atuação da Anatel sobre provedores irregulares deve acelerar a consolidação do mercado de banda larga, sobretudo no Nordeste, onde a companhia diz enfrentar uma disputa intensa por preço com grandes operadoras e pequenos prestadores. Em teleconferência com analistas, o CEO José Roberto Nogueira afirmou que há um processo de “enxugamento” em curso no setor e associou parte desse movimento à falta de investimento em infraestrutura por concorrentes de menor porte.

Segundo o executivo, a pressão competitiva na região não vem apenas dos pequenos provedores, mas também das operadoras de maior porte. “Nas cidades em que nós operamos, o ticket médio [da concorrência] já está abaixo de R$ 50, tanto em grandes operadoras, quanto nas pequenas”, afirmou.

Segundo ele, a Brisanet que não pretende acompanhar esse movimento ticket baixo. Na avaliação dele, a manutenção de preços mais baixos compromete a capacidade de atualização constante da infraestrutura. “Quem não está investindo em backbone robusto, quem não está investindo em equipamento de rede robusto, vai ter um problema maior no futuro.”

Fiscalização e enxugamento do mercado

Ao responder a uma pergunta sobre a fiscalização de provedores menores, Nogueira disse concordar que a iniciativa da Anatel tende a trazer mais racionalidade ao mercado, inclusive surtir efeito e acelerar M&A.

Na leitura do executivo, muitos provedores reduziram investimentos nos últimos anos e passaram a operar com foco em extrair receita da base já construída. “Muitos provedores de três anos para cá deixaram de investir. Baixaram os preços, ou seja, não tiveram mais aquela visibilidade que o negócio deles teria um futuro sólido”, afirmou. Segundo ele, esse processo pode levar a deterioração da qualidade da rede em um cenário de consumo crescente de dados. “A rede entra em colapso.”

O executivo também vinculou esse quadro à intensificação da fiscalização por parte da agência. “Então, esse movimento da Anatel deve acelerar”, declarou.

Nogueira também chamou atenção para obrigações de guarda e rastreabilidade de acessos, ao dizer que parte dos prestadores não atenderia requisitos exigidos em investigações. “Tem muitos provedores que são irregulares por completo”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Tem hoje o crime digital, que é o crime financeiro, o crime de pedofilia, e esses provedores, uma grande quantidade, milhares, não atendem esses requisitos.”

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