O que 2026 exige dos líderes tecnológicos: preparação empresarial na era da maturidade da IA

Por Diego Tartara

À medida que a inteligência artificial passa de projetos-piloto para implementações no mundo real, as empresas enfrentam um momento decisivo. A pergunta já não é se a IA transformará as indústrias, mas se as companhias estão preparadas para operacionalizar essa mudança em grande escala.

Com o avanço acelerado em todo o ecossistema tecnológico, serão favorecidos os líderes que enxergarem a IA não apenas como uma ferramenta a ser implementada, mas como uma capacidade central que deve ser integrada a todo o negócio.

Hoje existe um consenso crescente entre líderes globais de negócios e tecnologia: a maturidade da IA já não depende apenas da tecnologia, mas de como as organizações lideram e operacionalizam sua adoção.

Nesse contexto, cinco pontos ajudam a entender o que a próxima fase de preparação empresarial exigirá.

Da paralisia da IA à ação mensurável

Muitas organizações ainda permanecem em compasso de espera, aguardando o “modelo perfeito” de IA, dados impecáveis ou um ROI garantido antes de avançar. Essa hesitação, frequentemente chamada de “paralisia da IA”, hoje, é amplamente vista como um risco estratégico. Com as capacidades da IA evoluindo rapidamente, esperar certezas antes de agir já não é uma opção viável.

O que diferencia as organizações mais maduras não é a execução perfeita, mas a disposição para experimentar com propósito. Essas empresas focam em casos de uso pequenos e mensuráveis, vinculados a resultados de negócio, aprendem rapidamente e iteram continuamente, em vez de superdimensionar pilotos que nunca chegam à produção. Nesse cenário, a capacidade de passar do proof of concept ( prova de conceito) ao proof of value (prova de valor) com velocidade e disciplina está se tornando um fator-chave de diferenciação.

A IA como uma nova camada econômica e criativa

Outra mudança decisiva é a forma como os líderes estão reinterpretando a IA: não apenas como automação, mas como um novo meio que amplia o que é economicamente e criativamente possível. Os avanços em IA generativa e multimodal estão reduzindo as barreiras de entrada em múltiplos setores, permitindo que indivíduos e equipes criem, simulem e testem ideias em uma velocidade e escala sem precedentes.

Embora as indústrias criativas geralmente dominem as manchetes, dinâmicas semelhantes estão ocorrendo na saúde, educação, telecomunicações e operações industriais. As empresas que reconhecem a IA como uma camada fundamental capaz de transformar o desenvolvimento de produtos, o design de serviços e a tomada de decisões estão mais bem posicionadas para desbloquear novos modelos de negócio.

Nesse contexto, as organizações que continuam tratando a IA apenas como um complemento de produtividade correm o risco de ficar para trás diante daquelas que já a integraram ao núcleo da criação de valor.

A experiência torna-se preditiva e personalizada por padrão

Em setores como esportes, entretenimento e plataformas digitais, os líderes estão demonstrando como a IA está redefinindo a relação com clientes e fãs. A personalização já não se limita a recomendações: ela está se tornando preditiva, contextual e cada vez mais emocional.

De experiências de conteúdo dinâmico ao comércio sem atritos e programas de fidelidade impulsionados por dados, a IA permite que as organizações antecipem necessidades em vez de apenas reagirem a elas. Para empresas fora dos setores de mídia e entretenimento, a implicação é clara: os clientes passarão a esperar o mesmo nível de inteligência, relevância e capacidade de resposta em todos os pontos de contato.

Projetar experiências que se adaptem em tempo real exige arquiteturas de dados capazes de escalar de forma segura e responsável.

IA física e a ascensão das operações inteligentes

Além das interfaces digitais, a IA está se expandindo rapidamente para o mundo físico. Robótica, simulação e digital twins estão permitindo que as organizações testem cenários, otimizem fluxos de trabalho e coordenem sistemas do mundo real com maior precisão.

Na manufatura, logística, setor automotivo e varejo, a simulação impulsionada por IA está acelerando ciclos de design e reduzindo riscos operacionais. Sistemas autônomos estão passando de pilotos experimentais para ambientes produtivos, apoiados por orquestração definida por software.

À medida que essa tendência se acelera, a preparação empresarial dependerá cada vez mais da capacidade de integrar a IA entre os mundos físico e digital, rompendo os silos entre equipes de TI, operações e engenharia.

Liderança, alfabetização e confiança como capacidades centrais

A transformação impulsionada por IA é, em última instância, um desafio de liderança. A tecnologia sozinha não gera maturidade. Pessoas e governança, sim.

Avançar nesse caminho exige experimentação contínua acompanhada de estruturas éticas e operacionais sólidas. Igualmente importante é a alfabetização em IA — não apenas para tecnólogos, mas também para executivos, gestores e colaboradores da linha de frente. Organizações que investem em educação e transparência estão mais preparadas para construir confiança, reduzir receios e incentivar a adoção.

Sob essa perspectiva, empresas verdadeiramente preparadas para a IA são aquelas em que as equipes compreendem como a IA potencializa seus papéis, onde os processos de tomada de decisão são claros e onde a confiança é construída a partir do uso responsável, e não apenas de declarações abstratas de políticas.

Preparando-se para a próxima fase

Em conjunto, esses temas sugerem que a maturidade da IA já não se trata de adoção precoce. Trata-se de integração, resiliência e intenção. As empresas que terão sucesso nos próximos anos serão aquelas que agirem com decisão, investirem tanto em pessoas quanto em plataformas e desenharem sistemas que potencializem tanto o desempenho quanto a criatividade humana.

O caminho adiante não consiste em eliminar a incerteza, mas em construir organizações capazes de navegar por ela. À medida que a IA continua redefinindo a forma como o valor é criado, os líderes que agirem com clareza hoje estarão mais bem posicionados para prosperar no futuro.

Diego Tartara é Chief Technology Officer da Globant

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