A ampliação da presença feminina nas carreiras de tecnologia e telecomunicações foi o eixo central de evento realizado nesta quinta-feira, 23, em Brasília, voltado à promoção da participação de meninas nas áreas de TIC. Na cerimônia, representantes do Ministério das Comunicações, da Anatel, da Telebras e de organizações da sociedade civil defenderam a criação de referências, o acesso a cursos técnicos e a aproximação de estudantes com possibilidades concretas de inserção profissional no setor. Presentes no evento, mais de 150 meninas alunas de escolas públicas do Distrito Federal.

Um dos depoimentos que sintetizaram a proposta do encontro veio da estudante Fernanda Lara Veras Silva, de 17 anos, do CEM 111, no Recanto das Emas, no Distrito Federal. Segundo ela, a participação no evento ajudou a transformar interesse em perspectiva de carreira. “Se as meninas têm essa paixão por tecnologia, elas devem investir. Agora que eu vi que posso ingressar neste mercado, estou lutando para isso”, afirmou, de acordo com o material da transmissão e da transcrição encaminhada.
MCom e Anatel destacam caminhos de entrada
Na abertura, a secretária-executiva do Ministério das Comunicações, Sônia Faustino Mendes, participou como uma das idealizadoras do encontro, ao lado da superintendente de Relações com Consumidores da Anatel, Cristiana Camarate. A iniciativa foi apresentada como ação voltada à promoção da participação feminina nas áreas de tecnologia e telecomunicações.
“O Meninas Telecom é mais do que um programa; é um movimento em construção. Um movimento que começa hoje, mas que não termina aqui”, disse a secretária-executiva do MCom.
Segundo informou a representante da Pasta, o programa ainda está em fase de construção. Os próximos passos incluem ampliar a iniciativa, chegar a novos territórios, fortalecer parcerias. Sônia ressaltou, ainda, que “o plano é garantir que meninas e mulheres não sejam apenas usuárias da tecnologia, mas protagonistas da sua criação, da sua liderança e do seu impacto na sociedade”.
A discussão girou em torno de barreiras de acesso, da necessidade de estímulo desde a escola e das diferentes portas de entrada para o setor, inclusive por meio de programas de estágio, jovem aprendiz e cursos técnicos.
Parceria com Anatel
Cristiana Camarate afirmou que a Anatel valoriza a agenda das meninas nas TIC e relatou que a autarquia vê nessas ações uma forma de apresentar às estudantes a variedade de trajetórias possíveis dentro do setor. “Em relação aos cursos técnicos e como estimular, existem várias formas e existem muitas organizações da sociedade civil que se disponibilizam a fornecer esses cursos técnicos, os mais variados, e a gente, enquanto Anatel, tem sempre essa preocupação.”, disse a conselheira.
Segundo ela, muitas vezes há a percepção de que tecnologia se resume à programação, quando, na prática, há várias carreiras tecnológicas e também funções não técnicas que levam ao mesmo ecossistema. A própria executiva citou sua formação em direito como exemplo desse caminho. “Aqui na Anatel sempre recebemos muitas meninas para conversar e falar, dialogar sobre a possibilidade. E existem uma série de carreiras tecnológicas.”, acrescentou Cristiana Camarate.
Referências e propósito no setor
Outro ponto recorrente nas falas foi a importância de referências femininas e da construção de propósito profissional. Tatiana Guilherme, da Telebras, acrescentou que o setor de telecomunicações é “uma área muito masculina”. E reiterou: “Muitas vezes eu sou a única mulher na sala, eu sou a única mulher na reunião.” Ela afirmou que a curiosidade e a disposição para buscar orientação são fatores centrais para quem pretende ingressar no mercado.
Ela também associou o trabalho em telecomunicações ao impacto social da conectividade, ao mencionar a atuação da empresa em áreas ribeirinhas, indígenas e quilombolas. “Na Telebrás, a minha motivação diária é saber que eu trabalho com algo que impacta a vida de muitas pessoas.”
O lançamento do programa do MCom ocorre na semana em que se celebra o Dia Internacional das Meninas nas TIC (25 de abril). Segundo a ONU Mulheres, os empregos do futuro serão impulsionados pela tecnologia e pela inovação, 65% das crianças que ingressam hoje no ensino fundamental terão profissões que ainda não existem, e as meninas precisam fazer parte dessa revolução tecnológica, seja nas redes sociais, na sala de aula ou no ambiente de trabalho.
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