Salários e direitos atrasam e funcionários da Qintess entram em estado de greve

Os trabalhadores do grupo Qintess do estado de São Paulo decidiram, com quase 80% de votos favoráveis, decretar estado de greve durante assembleia promovida pelo Sindpd-SP (Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo). A decisão foi tomada diante de inúmeras irregularidades que vêm sendo denunciadas ao sindicato, como falta de pagamento de salários e descumprimento de outras obrigações legais.

Há comprovações consistentes de atrasos no depósito do FGTS, não pagamento de férias, atrasos no pagamento do vale-refeição e de verbas rescisórias, afetando diretamente a segurança financeira e a dignidade dos trabalhadores. Houve uma reunião entre trabalhadores e o Sindpd São Paulo, mas as propostas feitas pela Qintess foram rejeitadas.

Diante da decisão, o Sindpd publicará edital de deflagração de greve em jornal de grande circulação nos próximos dias, conforme determina a legislação vigente. A partir da publicação do edital, correrá o prazo legal de 72 horas para o início de fato do movimento paredista.

Propostas rejeitadas

Sobre os atrasos no FGTS, a Qintess afirmou que mantém um parcelamento junto à Caixa Econômica Federal até julho de 2025, mas reconheceu a existência de aproximadamente seis meses em aberto no período posterior. Como proposta, indicou a regularização dos depósitos a partir do próximo mês, com o pagamento adicional de uma parcela em atraso por mês, o que levaria até dez meses para a quitação integral da dívida.

Em relação aos salários, a empresa admitiu atrasos nos últimos dois meses e afirmou que o pagamento referente a abril foi realizado integralmente nesta quinta-feira, além de se comprometer a normalizar os pagamentos a partir da próxima folha.

Sobre o auxílio-refeição/alimentação, a Qintess reconheceu atrasos anteriores, embora alegue que a situação esteja atualmente regularizada e acrescentou que manteria os pagamentos em dia daqui em diante.

No caso das férias, a empresa reconheceu a existência de períodos vencidos sem pagamento, e se comprometeu a regularizar a situação até o final de abril e cumprir a legislação a partir de então.

Quanto às rescisões em atraso, foi proposta a realização de parcelamentos homologados junto ao sindicato para os casos ainda não judicializados.

Além disso, a empresa se comprometeu a pagar multas normativas decorrentes dos descumprimentos relacionados a salários, benefícios e férias, com previsão de inclusão desses valores na próxima folha de pagamento.

No seu site, a Qintess se define como uma empresa global de tecnologia ‘com profundas raízes no Brasil’, na vanguarda da transformação digital. Diz ter uma sólida presença em 9 países e mais de 800 clientes em 14 cidades ao redor do mundo. Afirma ter mais de 3.000 profissionais nacionais e internacionais.

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