Os Correios encerraram 2025 com resultado líquido negativo de R$ 8,5 bilhões, em meio à queda de receita, aumento de passivos judiciais e reconhecimento de provisões contábeis. A receita bruta da estatal foi de R$ 17,3 bilhões no ano, recuo de 11,35% em relação a 2024. O patrimônio líquido terminou o exercício em R$ 13,1 bilhões negativos, segundo balanço apresentado pela empresa na noite de quinta-feira, 23. As informações foram publicadas em edição extra do Diário Oficial União (DOU).

O resultado anual aprofunda o quadro já indicado nas demonstrações intermediárias do terceiro trimestre de 2025. Até setembro, os Correios acumulavam prejuízo líquido de R$ 6,06 bilhões, ante perda de R$ 2,14 bilhões no mesmo período de 2024. Apenas no terceiro trimestre, o prejuízo foi de R$ 1,69 bilhão. A receita líquida de vendas e serviços somou R$ 12,35 bilhões nos nove primeiros meses de 2025, abaixo dos R$ 14,15 bilhões registrados no intervalo equivalente do ano anterior.
No balanço de setembro, o patrimônio líquido já estava negativo em R$ 10,41 bilhões, contra R$ 4,36 bilhões negativos no fim de 2024. O passivo circulante havia subido de R$ 6,47 bilhões para R$ 10,95 bilhões, enquanto o ativo circulante se manteve praticamente estável, em R$ 2,65 bilhões. Entre os principais itens de curto prazo estavam R$ 4,97 bilhões em benefícios a empregados, R$ 1,71 bilhão em fornecedores, R$ 1,59 bilhão em empréstimos e R$ 990 milhões em processos judiciais.
Precatórios e provisões pressionam resultado
Em nota divulgada internamente no boletim para funcionários da estatal, o Primeira Hora Extra, os Correios afirmaram que o prejuízo de 2025 inclui dívidas judiciais reconhecidas por sentença, os precatórios, que chegaram a R$ 6,4 bilhões no ano, com alta de 55,12%. A estatal também citou provisões contábeis que ainda não saíram do caixa. Entre elas, apontou R$ 2,63 bilhões ligados ao reconhecimento de contingências judiciais trabalhistas acumuladas de gestões anteriores, incluindo discussões sobre o Adicional de Atividade de Distribuição e Coleta Externa, o AADC, e o Adicional de Periculosidade, o AP.
As demonstrações do terceiro trimestre mostram que os precatórios e Requisições de Pequeno Valor chegaram a R$ 2,48 bilhões em setembro de 2025, ante R$ 645,8 milhões no fim de 2024. No acumulado de nove meses, houve adição de R$ 2,04 bilhões e pagamento de R$ 280,1 milhões. O documento também informa que parte das provisões para contingências foi reclassificada para precatórios e RPVs em razão da emissão de ordens de pagamento.
No fim de setembro, as provisões para contingências somavam R$ 2,52 bilhões. O maior volume estava em ações trabalhistas, com R$ 1,9 bilhão, seguido por processos cíveis, com R$ 401 milhões, e fiscais, com R$ 217 milhões. A estatal também registrava passivos contingentes classificados como perda possível, não provisionados, de R$ 3,48 bilhões, distribuídos em 29,5 mil processos.
Receita cai com encomendas internacionais
Os Correios atribuíram o maior fator isolado da queda de receita à retração de 65,6% nas encomendas internacionais, provocada por mudanças nas regras de tributação sobre importações de baixo valor. A empresa informou que os segmentos de Mensagem e Novos Negócios cresceram 6,8% e 5,1%, respectivamente, enquanto Encomendas caiu 0,5%, em cenário de expansão de concorrentes privados nas rotas mais rentáveis.
Nas demonstrações intermediárias, a companhia já havia registrado queda de 12,28% na receita bruta de vendas e serviços até setembro, com redução atribuída principalmente às receitas internacionais. A receita líquida do terceiro trimestre ficou em R$ 4,17 bilhões, ante R$ 4,87 bilhões no mesmo período de 2024. No acumulado de janeiro a setembro, a receita líquida recuou para R$ 12,35 bilhões.
A empresa também reconhece, nas notas explicativas, desafios estruturais ligados à redução de receitas em linhas tradicionais, intensificação da concorrência nos segmentos de maior rentabilidade, rigidez de custos decorrente da obrigação de atendimento em todos os municípios e restrições de investimento em modernização tecnológica e operacional.
Resposta oficial dos Correios
Como resposta ao quadro financeiro, o Conselho de Administração e a CGPar aprovaram, em dezembro de 2025, o Plano de Reestruturação. No mesmo mês, foram contratados R$ 12 bilhões com garantia da União para sustentar a transição. Segundo a estatal, cada diretoria e superintendência assinou Acordo de Desempenho e Metas, com compromissos, cronograma e métricas de execução.
O plano está organizado em três etapas. A primeira busca estabilizar a liquidez e a operação. A segunda, prevista para 2026 e 2027, envolve redução de despesas, reorganização de unidades com baixa eficiência, modernização de estruturas e sistemas, automação logística, fortalecimento do controle de passivos judiciais e redução do déficit da Postal Saúde. A terceira etapa, a partir de 2027, prevê parcerias estratégicas, adoção de tecnologia, ajustes no modelo de negócio e ampliação da competitividade no mercado logístico.
No balanço dos primeiros meses do plano, os Correios informaram que o índice de entregas no prazo ultrapassou 90% em abril, o volume de encomendas recebidas fora do prazo combinado caiu 43%, a satisfação dos clientes avançou 23,9 pontos no NPS e mais de 99% dos fornecedores voltaram a receber em dia. A renegociação de contratos gerou R$ 321 milhões em economia, e os custos variáveis com empregados caíram 32% em relação a 2024.
A empresa também informou que os precatórios foram parcelados em cronograma até dezembro de 2026 e que a dívida tributária com a Receita Federal, formada principalmente por PIS e Cofins, foi renegociada em até 60 parcelas. No Programa de Demissão Voluntária, 3.756 empregados aderiram ao ciclo 2024/2025, com economia de R$ 147,1 milhões em 2025 e estimativa de R$ 775,7 milhões em 2026. Outros 3.181 aderiram em 2026. A meta declarada pela estatal é voltar ao lucro em 2027.
Confira aqui íntegra das Demonstrações contábeis do último trimestre de 2025.
Confira aqui íntegra da edição do Primeira Hora Extra.
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