IA na educação exigirá formação docente e regras claras

No painel “Perspectivas: o futuro da educação, IA e a realidade das escolas”, realizado no evento de educação do Tele.Síntese, em Brasília, nesta terça-feira, 24, debatedores convergiram em um ponto: a inteligência artificial tende a ganhar espaço no ensino, mas seu avanço dependerá menos da tecnologia em si e mais da capacidade das redes e instituições de formar professores, estabelecer regras de uso e preservar o desenvolvimento crítico dos estudantes. A avaliação foi compartilhada por representantes da Unesco-Brasil, do Conselho Nacional de Educação (CNE), da Universidade de Brasília (UnB), do Ibmec Brasília, da Teachy e da Mind Lab.

IA educação

Maria Rehder, da Unesco-Brasil, defendeu que a adoção da IA na escola deve seguir uma abordagem centrada no ser humano, com prioridade para inclusão, ética e senso crítico. Segundo ela, os marcos referenciais da Unesco para estudantes e professores partem do princípio de que o aluno deve usar a tecnologia de forma responsável, questionadora e criativa. A dirigente citou ainda exemplos de projetos em escolas, como iniciativas no Marajó e no Pará, para sustentar que os estudantes já utilizam a tecnologia, muitas vezes em ritmo mais acelerado que o corpo docente. Para a Unesco, no entanto, esse movimento exige formação inicial e continuada de professores.

Professor deixa de ser transmissor e reforça papel de mediador

A reitora da UnB, Rozana Reigota Naves, afirmou que a principal mudança trazida pela IA está no papel do professor. Na sua avaliação, a novidade não está apenas na incorporação de mais um recurso pedagógico, mas na necessidade de ensinar os alunos a formular perguntas adequadas, algo que ela associou à própria base da pesquisa acadêmica. A reitora também chamou atenção para o debate ético sobre uso da IA na produção de trabalhos científicos e para a necessidade de tratar o tema como transversal, evitando sua simples conversão em disciplina isolada.

Rozana informou ainda que a UnB ampliou sua infraestrutura de pesquisa em IA, com laboratório multiusuário de supercomputação, novos aceleradores e a criação da primeira turma de bacharelado em inteligência artificial, além de projetos de extensão voltados à formação de professores da rede pública do Distrito Federal.

Uso da IA precisa ser dosado, diz Ibmec

Professor Bruno Miranda, do Ibmec Brasília, disse que a utilização da IA deve variar conforme a etapa da formação do aluno. Segundo ele, a instituição trabalha em documentação interna para regular o uso dessas ferramentas e tenta evitar que estudantes em fases iniciais da graduação se tornem usuários intensivos antes de consolidarem fundamentos como cálculo, estatística, modelagem e codificação. Ele relatou percepção de queda na capacidade de resolução de problemas quantitativos desde a popularização dos modelos generativos e defendeu que a IA funcione como suporte, e não como substituta do processo de aprendizagem.

Escala, desigualdade e risco de supervisão insuficiente

Thiago Zola, da Mind Lab, afirmou que a IA “não muda nada” se seus benefícios não chegarem em escala ao sistema educacional. Ele citou cenário de infraestrutura deficiente, sobrecarga de professores e gestão escolar pouco profissionalizada. Também mencionou dados do estado de São Paulo segundo os quais 70% dos alunos do ensino médio já usam IA no dia a dia, mas apenas 32% receberam orientação escolar sobre isso e só 19% foram orientados por professores. Para ele, o desafio central é desenvolver habilidades humanas, como capacidade crítica, resolução de problemas e tomada de decisão.

Marcos Vinícius, da Teachy, apontou os riscos de vieses e alucinações dos modelos e alertou para dois efeitos possíveis: ampliação de desigualdades entre escolas com maior e menor acesso a tecnologias e perda do professor como agente central do processo educacional. Ele defendeu o uso da IA como “copiloto”, com transparência para pais e professores e políticas internas definidas por cada escola.

O post IA na educação exigirá formação docente e regras claras apareceu primeiro em TeleSíntese.

Tags

Compartilhe

Algar diminui prejuízo no primeiro trimestre e entra em nova fase operacional
Algar diminui prejuízo no primeiro trimestre e entra em nova fase operacional
Veja no Boletim TELETIME: novos diretores na Claro, balanço dos ISPs e mercado de TICs
Veja no Boletim TELETIME: novos diretores na Claro, balanço dos ISPs e mercado de TICs
Alexandre Freire recebe prêmio por contribuições ao setor de telecom
Alexandre Freire recebe prêmio por contribuições ao setor de telecom
Eletronet lança solução de revenda de serviços de data centers para ISPs
Eletronet lança solução de revenda de serviços de data centers para ISPs
Algar amplia geração de caixa em 46,5% e acelera receita móvel B2B no primeiro trimestre
Algar amplia geração de caixa em 46,5% e acelera receita móvel B2B no primeiro trimestre
Brasscom defende educação voltada a IA, IoT e cibersegurança no Senado
Unifique lucra R$ 52,1 milhões no primeiro trimestre, alta de 40,8%
Unifique lucra R$ 52,1 milhões no primeiro trimestre, alta de 40,8%
Unifique tem alta de 40% no lucro e amplia receitas no primeiro trimestre
Unifique tem alta de 40% no lucro e amplia receitas no primeiro trimestre
Governo defende regulação “cirúrgica” de plataformas digitais na Câmara
PL das plataformas troca Anatel por Cade em novo substitutivo
PL das plataformas troca Anatel por Cade em novo substitutivo