Holanda defende superintendência de cibersegurança na Anatel

Edson Holanda

O conselheiro Edson Holanda defendeu que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) crie uma superintendência específica de cibersegurança, independentemente de receber as atribuições de autoridade nacional do setor. A medida exigiria recursos orçamentários e infraestrutura, mas, na avaliação do dirigente, deveria avançar mesmo antes da definição do novo marco legal.

“Independentemente dessa competência ser atribuída ou não, a gente já deveria criar essa superintendência”, afirmou Holanda nesta última terça-feira, dia 11, durante o evento TS Segurança Digital e Serviços Gerenciados, realizado pelo Tele.Síntese em São Paulo.

O conselheiro representou a Anatel no painel “Marco Regulatório de Cibersegurança: coordenação nacional, infraestruturas críticas e responsabilidades”. Ele também integra o Comitê Nacional de Cibersegurança (CNCiber).

A possibilidade de a Anatel assumir a função de autoridade nacional aparece no anteprojeto elaborado pelo CNCiber. O desenho preserva as atribuições dos reguladores setoriais, mas entrega à agência a coordenação da política para setores que ainda não possuem estruturas regulatórias próprias de segurança cibernética.

Segundo Holanda, a indicação decorre da experiência acumulada pela Anatel na regulação de telecomunicações, na certificação de equipamentos, no acompanhamento das redes e na atuação em todo o território nacional. Ele ressaltou, porém, que a agência não deve apresentar a própria experiência como argumento suficiente para receber o novo mandato. “Acho que o GSI tem sido um grande referencial nesse tema e tem convalidado essa indicação à Presidência da República de que a Anatel tem competência”, disse.

Marcos voluntários enquanto o projeto não avança

Holanda avaliou que a tramitação legislativa pode não ser concluída nos próximos meses em razão do calendário eleitoral. Para o conselheiro, isso não impede a construção de instrumentos voluntários com as empresas. “Acho que esse PL não vai avançar até novembro. Quiçá, isso vai ficar para janeiro ou fevereiro. Mas a gente tem que começar a construir marcos voluntários”, afirmou.

Na avaliação do dirigente, a adoção voluntária permitiria que empresas e reguladores acumulassem experiência antes de determinadas obrigações se tornarem vinculantes. O processo deveria envolver diálogo com os setores atingidos, adesão progressiva e uma etapa de aprendizagem.

“Todo marco que deu certo começou primeiro com voluntariedade, uma conversa com o setor e o setor vindo, conhecendo e aderindo. Quando aquilo se torna obrigatório, já teve toda uma curva de aprendizado”, afirmou.

Holanda reconheceu que uma autoridade nacional precisará ter capacidade de fiscalização e aplicar sanções. Ressalvou, contudo, que o objetivo principal da regulação deve ser elevar a resiliência das organizações, e não concentrar a atuação estatal em punições.

Observatório para grandes e pequenos provedores

O conselheiro também propôs a criação de um observatório capaz de distribuir informações sobre ataques e vulnerabilidades entre empresas de telecomunicações de diferentes portes.

A estrutura funcionaria a partir de dados tratados pela Anatel e compartilhados com o setor, possivelmente em articulação com o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI). O objetivo seria permitir que provedores menores tivessem acesso a informações que as grandes operadoras já produzem em suas estruturas internas de segurança.

“Na hora que você tem um observatório e aquela informação é compartilhada pela TIM, por exemplo, ou por nós, começa a circular dentro do setor”, explicou. “A gente também está dando informação para aqueles provedores que não têm condições financeiras de ter uma estrutura dessa.”

Holanda afirmou que pretende levar a proposta ao GSI. O modelo buscaria reduzir a assimetria entre operadoras com centros próprios de inteligência e empresas menores que não conseguem manter estruturas equivalentes.

Aproximação entre redes e segurança

Outro desafio indicado pelo conselheiro é a aproximação entre os centros de operação de redes, os NOCs, e os centros de operações de segurança, os SOCs. Segundo ele, a integração entre as duas estruturas já ocorre nas empresas e precisará ser considerada pela futura autoridade. “A gente vai ter que ter uma interação ainda maior com as empresas para saber como o SOC e o NOC, o security e o network, vão fazer essa junção na interlocução com o agente regulador”, disse.

Holanda também defendeu a integração do PL 4.752/2025, em tramitação no Senado, com a proposta elaborada pelo CNCiber. Para o conselheiro, os textos devem convergir para evitar sobreposição de atribuições e permitir o avanço da governança nacional de cibersegurança.

O post Holanda defende superintendência de cibersegurança na Anatel apareceu primeiro em TeleSíntese.

Tags

Compartilhe

Anatel limita Wi-Fi à banda inferior da faixa de 6 GHz a partir de 2027
Anatel limita Wi-Fi à banda inferior da faixa de 6 GHz a partir de 2027
EAF audita contratos firmados desde 2022
EAF audita contratos firmados desde 2022
Alares cresce em receita, mas despesas financeiras pressionam resultado do trimestre
Alares cresce em receita, mas despesas financeiras pressionam resultado do trimestre
Alares eleva receitas, mas quase dobra prejuízo no segundo trimestre
Alares eleva receitas, mas quase dobra prejuízo no segundo trimestre
Claudia Tavares assume Diretoria dos Canais Massivos da Vivo
Claudia Tavares assume Diretoria dos Canais Massivos da Vivo
Crise da Oi: Justiça se omite e trabalhadores temem calote com falência da Oi
Claro instala rede 5,5G e a primeira rede em ondas milimétricas do Brasil no Nubank Parque, estádio do Palmeiras
Julgamento sobre a falência da Oi é marcado para o dia 25 de agosto
Claro implanta 5
Claro implanta 5.5G e Wi-Fi para 65 mil conexões no Nubank Parque
Unifique prevê receitas em SP e PR em 2027 e busca M&A em fibra
Unifique prevê receitas em SP e PR em 2027 e busca M&A em fibra