
A Alares encerrou o segundo trimestre de 2026 com receita líquida de R$ 252,5 milhões, crescimento de 9,4% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar do avanço da operação, o prejuízo líquido aumentou 93,5%, passando de R$ 21 milhões para R$ 40,7 milhões.
O resultado foi pressionado pelo aumento das despesas financeiras, que chegaram a R$ 89,8 milhões, alta anual de 52,4%. Descontadas as receitas financeiras, o resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 75,6 milhões, uma piora de 55,3%.
O ITR atribui a variação principalmente aos juros sobre debêntures, especialmente os relacionados à quarta emissão, realizada no quarto trimestre de 2025, e aos efeitos da marcação a mercado das operações de swap. Segundo o CFO da companhia, Danilo Perez, o resultado veio dentro do esperado, uma vez que a empresa realizou aquisições recentemente. As despesas com depreciação e amortização somaram R$ 78,1 milhões, aumento de 9,3%, influenciadas pela consolidação da IPNet e pelas amortizações de carteiras de clientes e de cláusulas de não competição relacionadas a aquisições anteriores.
Segundo Perez, a Alares não espera reverter o prejuízo em 2027. “Não vai ser em 2027. Mas em 2028 a gente deve ver, sim, esse resultado se tornar positivo ou muito próximo do positivo”, declarou. O CEO da empresa, Denis Ferreira (na foto acima), lembrou que a companhia segue em busca de aquisições, o que justifica a expectativa. “Estamos com algumas dezenas de possíveis aquisições no pipeline, todas prevendo a aquisição de provedores menores para incorporação”, apontou.
Em termos operacionais, o balanço é azul. Antes do resultado financeiro e dos impostos, a operadora apurou resultado positivo de R$ 40,1 milhões, crescimento de 20,6%.
Receita média por cliente avança
O EBITDA somou R$ 118,2 milhões no trimestre, alta de 12,9%. A margem passou de 45,4% para 46,8%, expansão de 1,5 ponto percentual.
“Tanto no orgânico quanto no inorgânico, consistentemente, se você for ver trimestre a trimestre, a gente vem evoluindo o EBITDA e a margem EBITDA”, afirmou Ferreira,.
A receita média por usuário (ARPU) alcançou R$ 102,70, crescimento anual de 6,8%. A operadora relacionou o avanço à migração dos clientes para planos de maior velocidade, à expansão das atividades voltadas a empresas e à adesão a serviços digitais.
A Alares encerrou junho com mais de 817 mil clientes em 232 cidades de sete estados. Na comparação anual, a base aumentou em aproximadamente 17 mil assinantes, ou 2,2%.
O segmento empresarial representa cerca de 10% da receita da companhia, ante aproximadamente 7% dois anos atrás. De acordo com os executivos, o B2B vem crescendo de 20% a 30% acima do ritmo do varejo.
Dívida líquida cresce 22,2%
A dívida líquida atingiu R$ 1,446 bilhão no fim de junho, aumento de 22,2% em relação ao segundo trimestre de 2025. A dívida bruta avançou 27%, para R$ 1,605 bilhão. A relação entre dívida líquida e EBITDA dos últimos 12 meses passou de 2,96 vezes para 3,04 vezes. O indicador considera o EBITDA pro forma das empresas adquiridas.
“Esse aumento da alavancagem é marginal e acontece principalmente porque a gente, no primeiro semestre, fez muito investimento”, frisou Perez.
Os investimentos somaram R$ 93,7 milhões no trimestre, crescimento anual de 73,9%. Os recursos foram destinados principalmente à modernização da rede e à renovação da frota. Mesmo com o aumento dos desembolsos, a diferença entre EBITDA e investimentos permaneceu positiva em R$ 24,5 milhões.
Alares capta R$ 115 milhões após o trimestre
Depois do encerramento do trimestre, a Alares contratou R$ 115 milhões em novos financiamentos. Em julho, foram realizadas duas operações que somaram R$ 30 milhões, com swap que converteu o custo da dívida para CDI mais 3,07% ao ano.
Em 6 de agosto, a companhia emitiu uma Cédula de Crédito Bancário de R$ 85 milhões. O financiamento será pago em 60 parcelas, com vencimento final em agosto de 2031 e carência de 12 meses para a amortização do principal.
Oquei aguarda aprovação da Anatel
A Alares assinou no trimestre a compra da Oquei, que atua em 30 cidades do Noroeste paulista e atende aproximadamente 68 mil clientes. A operação abrange mais de 3,1 mil quilômetros de rede de fibra, cobertura para 277 mil residências e empresas e 22 lojas.
A aquisição já foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas ainda depende da anuência da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e do cumprimento das condições precedentes previstas no contrato. Dessa forma, a Oquei não teve efeito sobre os resultados do segundo trimestre.
A companhia também concluiu, em abril, a integração da IPNet. Segundo os executivos, as sinergias obtidas ficaram cerca de 15% acima do valor projetado.
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