Elon Musk vai construir fábrica de chips para data centers espaciais, carros e robôs

O empresário Elon Musk, CEO da Tesla e da SpaceX, revelou planos para construir uma fábrica de semicondutores avaliada em US$ 20 bilhões (R$ 105 bilhões), batizada de TeraFab. A instalação será erguida em Austin, no Texas, ao lado da sede da montadora, e operará como uma joint venture entre as duas empresas. O projeto, segundo Musk, é necessário para suprir a demanda crescente por chips personalizados voltados a data centers espaciais, veículos avançados e robôs humanoides.

Em transmissão ao vivo realizada em sua plataforma X, o bilionário classificou a iniciativa como “o exercício de construção de chips mais épico da história, de longe”. Ele justificou a decisão afirmando que os níveis atuais de produção global de semicondutores são insuficientes para atender às necessidades de suas companhias. “Ou construímos a TeraFab, ou não temos os chips. E nós precisamos dos chips, então vamos construir a TeraFab”, declarou.

De acordo com Musk, a demanda futura por poder computacional é gigantesca. Ele estima que suas empresas precisarão de até 200 gigawatts (GW) por ano de capacidade de processamento para operações terrestres, além de 1 terawatt (TW) para aplicações no espaço. Embora o empresário tenha afirmado na transmissão que atualmente existem 20 GW de capacidade de inteligência artificial disponíveis mundialmente, outras estimativas do setor situam esse número em 30 GW.

A TeraFab será uma instalação totalmente integrada, responsável não apenas pela fabricação de chips lógicos e de memória, mas também por etapas de empacotamento e testes. O plano prevê a produção de dois tipos distintos de semicondutores. O primeiro será destinado a cargas de inferência na borda (edge inference), adequado para veículos autônomos e robôs. O segundo, mais robusto, será desenvolvido para suportar as condições severas do ambiente espacial, atendendo aos projetos da SpaceX.

Entre esses projetos está a ambiciosa constelação de satélites para data centers em órbita. Em janeiro, a SpaceX protocolou pedido de autorização para lançar até um milhão de satélites com capacidade de processamento de dados. Na ocasião, Musk já havia indicado que a iniciativa poderia fornecer centenas de gigawatts de poder computacional no espaço.

Apesar do anúncio grandioso, não foi divulgado um cronograma para o início das operações da TeraFab. Musk não possui experiência prévia no setor de manufatura de semicondutores, conhecido por sua alta complexidade tecnológica e pela necessidade de investimentos vultosos. O empresário também tem um histórico de promessas audaciosas que nem sempre se concretizam nos prazos previstos.

A ideia de construir uma fábrica própria de chips foi mencionada pela primeira vez em novembro do ano passado. Em janeiro, Musk chegou a afirmar que sua equipe buscaria um ciclo de produção de nove meses para os semicondutores, três meses abaixo do ritmo anual adotado por gigantes do setor como Nvidia e AMD na produção de seus aceleradores de inteligência artificial.

A Tesla, por sua vez, já havia desenvolvido internamente um chip próprio, o Dojo D1, projetado para processar vídeos captados pelos veículos da marca e treinar sua frota autônoma. O componente também estava previsto para ser utilizado no robô humanoide Optimus. No entanto, a equipe responsável pelo Dojo foi desmobilizada em agosto de 2025, com a montadora optando por priorizar a utilização de chips fornecidos por outros fabricantes.

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