BC anuncia novas mudanças no Pix após fraude de R$ 100 milhões no BTG

Na esteira do ataque hacker que resultou no desvio de aproximadamente R$ 100 milhões do BTG Pactual, o Banco Central apresentou um novo pacote de medidas destinadas a aumentar a segurança operacional das contas utilizadas pelas instituições financeiras para a liquidação do Pix. O órgão regulador busca, com as atualizações, aumentar a resiliência do sistema contra fraudes e falhas técnicas que possam comprometer a confiança no ecossistema de pagamentos instantâneos.

As mudanças integram a segunda fase de um conjunto de ferramentas da Agenda BC e focam no aperfeiçoamento do gerenciamento da Conta de Pagamentos Instantâneos (Conta PI). Essa conta, mantida pelas instituições participantes diretas no próprio Banco Central, é essencial para o funcionamento do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), a infraestrutura que viabiliza as transações em tempo real. O regulador destaca que o gerenciamento adequado desse saldo é condição fundamental para garantir liquidações contínuas e seguras.

Desde 2025, o BC já havia disponibilizado ferramentas auxiliares que permitem aos bancos monitorar os saldos, receber alertas automáticos sobre movimentações atípicas ou atingimento de limites mínimos, além de realizar bloqueios manuais. Com os novos aprimoramentos, a capacidade de reação rápida das instituições diante de suspeitas de irregularidades é ampliada.

Entre as principais novidades está a possibilidade de as instituições configurarem um limite mínimo de saldo operacional, um mecanismo que atua como um “novo zero operacional”. Uma vez atingido esse valor, a Conta PI não aceitará a emissão de novas ordens de pagamento instantâneo, impedindo liquidações que possam comprometer o saldo mínimo definido e reduzindo o risco de perdas financeiras em cenários de fraude.

O BC também instituiu a opção de bloqueio automático da conta. Se o participante ativar essa funcionalidade, o acesso à liquidação de ordens no SPI será temporariamente interrompido assim que o limite mínimo for alcançado, cabendo à própria instituição decidir o momento adequado para o desbloqueio manual da conta.

Além disso, foi criado um canal alternativo de consulta ao extrato da Conta PI, que permitirá às instituições acompanhar a movimentação dos recursos mesmo em situações de indisponibilidade de acesso à Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN). A medida visa assegurar a visibilidade sobre os saldos e transações em momentos críticos, como falhas internas ou tentativas de fraude que possam comprometer o canal principal de comunicação.

De acordo com o Banco Central, o pacote de aprimoramentos busca reforçar a segurança das instituições participantes, proteger os recursos mantidos na autoridade monetária e, em última análise, fortalecer a confiança no ambiente de pagamentos instantâneos e no sistema financeiro como um todo.

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