
A telefonia móvel deixou de ser uma tendência distante para os provedores regionais e passou a ocupar posição estratégica na expansão de receitas dos ISPs. Essa foi a mensagem central de Jamyson Machado, CEO da Braz Móvel, durante palestra realizada em 6 de maio, na AGC 2026.
Em sua apresentação, Machado defendeu que os provedores de internet precisam deixar de atuar com apenas um produto e passar a oferecer uma operação mais completa, combinando internet fixa, telefonia móvel, streaming, TV e serviços adicionais.
“Vocês não podem deixar o dinheiro em cima da mesa”, afirmou. Segundo ele, a telefonia móvel pode elevar o faturamento dos provedores em até 30%, especialmente porque o chip permite múltiplas vendas dentro da mesma residência. “Hoje eu vendo mais chip do que plano de internet na minha principal cidade”, disse.
O executivo explicou que a Braz Móvel estruturou um modelo white label para que provedores possam oferecer planos móveis com marca própria, usando rede nacional da Vivo, sem necessidade de investimento em infraestrutura móvel. “A Vivo cuida pra gente disso. A gente já pega o produto pronto e aí facilita”, afirmou.
Para Machado, o provedor que vende apenas internet fica vulnerável. Isso porque o cliente, ao contratar chip de outra operadora, passa a manter relacionamento com um concorrente que também pode disputar a banda larga no futuro. “Seu provedor está incompleto. Hoje, você vende só internet. Esse risco é desnecessário”, disse.
A proposta da Braz é permitir a entrada progressiva dos ISPs no mercado móvel, sem exigência de grandes compras iniciais de chips ou altos custos de implantação. O CEO citou pedidos mínimos menores, integração com ERPs, suporte dedicado e possibilidade de início da operação em poucos dias. “Não precisa largar com 10 mil chips, com 5 mil chips. Eu só quero largar com 500”, exemplificou.
Além da telefonia, Machado defendeu que os provedores passem a atuar como uma espécie de “supermercado” de serviços digitais, com prateleiras para internet, móvel, TV, streaming, equipamentos, acessórios e outros produtos. “Não dê produtos. Venda”, afirmou, ao criticar a prática de entregar serviços ou dispositivos sem cobrança adicional.
Durante a palestra, o executivo também apresentou casos de provedores parceiros que já alcançaram mil ou duas mil linhas móveis, reforçando que o modelo já está em operação. Para ele, o momento é de aceleração. “Não é tendência. É realidade”, concluiu.
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