*Por Patrícia Pasquali – O uso de dados atravessa um dos momentos mais acelerados da última década, com impacto direto no setor de telecomunicações. Projeções de consultorias como Gartner e IDC indicam que mais de 80% das empresas devem ampliar seus investimentos em plataformas de análises e inteligência em 2026.

Esse avanço expõe um desafio estrutural relevante: a escassez de talentos no setor. O déficit global de profissionais especializados ultrapassa 1,5 milhão de vagas não preenchidas, enquanto habilidades relacionadas à análise de dados e IA figuram entre as mais demandadas no mundo, segundo o World Economic Forum. O tema vai além da formação técnica e envolve uma mudança estrutural na forma como as empresas operam e tomam decisões.
Em outras palavras, os dados deixaram de ocupar uma função operacional para se consolidarem como o centro das decisões de negócio. Isso significa que empresas capazes de estruturar, governar e ativar suas informações passam a operar com mais eficiência, maior previsibilidade e mais capacidade de adaptação, fatores críticos em uma área altamente competitiva como a de telecomunicações.
Apesar da evolução recente, o nível de maturidade das companhias ainda é desigual. O que vemos hoje é uma aceleração muito forte dessa agenda. O que vemos é que praticamente todas as empresas na América Latina estão ampliando investimentos em IA, mas ainda existe um gap relevante entre investir em tecnologia e conseguir usar dados de forma estratégica no dia a dia. Para a maioria das organizações, o principal obstáculo não está na aquisição de ferramentas, mas na construção de ambientes capazes de interpretar e comunicar insights com agilidade e clareza.
IA, automação e plataformas em nuvem aceleram a escala, mas nenhum avanço se sustenta sem profissionais capazes de fazer as perguntas certas e conectar dados ao negócio.
A combinação entre novas arquiteturas de dados e o avanço da automação tem impacto direto no perfil dos profissionais demandados pelo mercado. Nesse contexto, cresce de maneira significativa a busca por perfis híbridos, capazes de transitar entre tecnologia, negócio e produto, e que reúnam competências que vão além do domínio técnico, como pensamento crítico, capacidade analítica, visão sistêmica e comunicação. Na prática, isso significa que habilidades ligadas à interpretação, contexto e tomada de decisão passam a ser tão relevantes quanto o conhecimento técnico.
Empresas que já nasceram com uma operação orientada por dados tendem a sair na frente da concorrência. Isso porque a possibilidade de consolidar e analisar informações em tempo real reduz o intervalo entre diagnóstico e ação, permitindo uma atuação mais preditiva. No setor de telecom, esse movimento se traduz em aplicações diretas na experiência do cliente, como antecipação de falhas, otimização de desempenho da rede e maior aderência das ofertas ao perfil de uso.
Para os profissionais, esse cenário reforça a necessidade de evolução contínua. Mais do que acompanhar a tecnologia, será fundamental desenvolver a capacidade de interpretar dados, fazer as perguntas certas e traduzir informação em decisão. O futuro da área não será definido apenas pelo avanço da inteligência artificial, mas pela forma como conseguimos combiná-la com repertório humano, senso crítico e visão de negócio. As empresas que conseguirem equilibrar essa equação, tecnologia de um lado e pessoas preparadas do outro, serão as que, de fato, transformarão dados em vantagem competitiva sustentável.
*Por Patrícia Pasquali, CDO da Nio
O post Dados redefinem a operação das teles no Brasil e expõem desafios como a disputa por talentos apareceu primeiro em TeleSíntese.



