
O TikTok estima que os investimentos em publicidade feitos na plataforma adicionaram entre R$ 18,6 bilhões e R$ 37,3 bilhões ao PIB brasileiro em 2025. O cálculo consta do primeiro Relatório de Impacto Econômico do TikTok no Brasil, encomendado pela empresa à LCA Consultoria Econômica.
O estudo também projeta impacto associado de cerca de 447 mil empregos e arrecadação tributária entre R$ 2,5 bilhões e R$ 4,9 bilhões. Os resultados são projeções econômicas baseadas em ROAS, indicador de retorno sobre gasto em publicidade. O cálculo central considera apenas o TikTok Ads e não inclui alcance orgânico nem a atividade comercial direta no TikTok Shop.
A LCA aplicou um modelo de matriz insumo-produto para estimar como o investimento em publicidade se espalha pela economia. O modelo usa tabela nacional do IBGE e mapeia efeitos em 67 setores. A estimativa considera efeitos diretos, indiretos e induzidos, como aumento de vendas, demanda sobre fornecedores e consumo gerado pela renda adicional.
PMEs ampliam presença no e-commerce
O principal gancho setorial do relatório está na expansão das pequenas e médias empresas no comércio digital. O levantamento aponta que a participação das PMEs na receita do e-commerce brasileiro passou de 4% em 2016 para 30% em 2024. Em valores reais, o volume de vendas online de PMEs chegou a R$ 70,3 bilhões em 2024, ante R$ 57,6 bilhões em 2023, alta de 22%. O relatório define PMEs, de forma conservadora, como empresas inscritas no Simples Nacional.

Segundo pesquisa Quaest encomendada pelo TikTok, 68% dos empreendedores pesquisados operam na plataforma apenas com tráfego orgânico, sem anúncios pagos. Outros 51% afirmaram ganhar seguidores por conteúdo orgânico, e 52% disseram alcançar novos mercados.
TikTok Shop e disputa no varejo digital
O estudo também aponta que 57,8% dos usuários pesquisados concluíram compras diretamente no TikTok Shop após descobrir um produto na plataforma. A amostra envolveu 17.030 usuários no Brasil, com coleta em março e abril de 2026.
O documento afirma ainda que 51% dos empreendedores já adotaram o sistema de transação interno do TikTok Shop no primeiro ano de operação no Brasil. A comissão citada para a plataforma é de 6%, ante intervalo de 10% a 21% apontado para marketplaces estabelecidos, segundo comparação feita no próprio relatório.
O relatório sustenta que a entrada do TikTok no mercado brasileiro pode ampliar a concorrência em publicidade digital e e-commerce, ao oferecer uma alternativa de distribuição baseada em vídeos, descoberta de produtos e venda integrada. Essa avaliação, porém, parte da análise encomendada pela própria plataforma.
Celular como ferramenta de negócio
Outro ponto relevante para a cobertura de TICs é o papel do smartphone na inclusão produtiva. O relatório cita a pesquisa TIC Domicílios 2025, do Cetic.br, segundo a qual 86% dos domicílios brasileiros têm acesso à internet. Nas classes D e E, 87% acessam a internet apenas pelo celular. A partir desses dados, o estudo argumenta que plataformas mobile-first reduzem a necessidade de computador, loja física ou sistemas complexos para pequenos vendedores. Esse modelo se destaca especialmente no Norte e Nordeste, regiões com maior informalidade e maior dependência do acesso móvel.

No recorte regional, a receita de e-commerce cresceu 413% no Nordeste entre 2016 e 2024. No Sul, a expansão foi de 429%; no Centro-Oeste, de 380%; no Sudeste, de 326%; e no Norte, de 229%.
Educação empreendedora
O relatório também trata o TikTok como canal de aprendizagem para pequenos negócios. Segundo a pesquisa com empreendedores, 69% usam a plataforma como fonte de conteúdo sobre negócios, 62% acompanham tendências de mercado e 57% dizem desenvolver habilidades de marketing digital.
A LCA estima que o consumo de conteúdo educacional sobre empreendedorismo no TikTok somou entre 2,5 milhões e 6,4 milhões de horas em 2025. Com metodologia adaptada de estudo europeu, o ganho potencial de produtividade foi estimado entre R$ 20,8 milhões e R$ 51,9 milhões por ano.
O relatório informa que o modelo calcula valores brutos adicionados à economia e não mede eventuais realocações de demanda de outros setores. Por isso, os números devem ser lidos como projeções de impacto econômico associado ao uso publicitário da plataforma, e não como medição direta de todo o efeito do TikTok na economia brasileira.
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