Setor discute nova arquitetura para interconexão de voz no Brasil

Painel Rafael interconexão

A transformação da interconexão de voz no Brasil passa hoje por uma tentativa de simplificação operacional, redução de custos e centralização da troca de tráfego. No painel sobre o papel do IX.br e do SIP-IX, realizado no IX Fórum Fortaleza 2026, os participantes descreveram a proposta como uma resposta a um problema antigo do mercado: o custo, a burocracia e o tempo necessário para colocar serviços de telefonia em operação fora da própria rede.

A discussão reuniu provedores, regulador, associação setorial e o NIC.br para discutir um novo arranjo para a voz fixa e móvel, em um momento em que o setor se prepara para as mudanças regulatórias previstas para 2027. Os executivos participantes foram: Alexandre Ferreira (SIP-IX), Elton Salvador (Unifique), Fábio Casotti (Anatel), Julio Sirota (NIC.br), Luiz Henrique Barbosa da Silva (TelComp) e Neylon Estevam Narciso (Brisanet).

Alexandre Ferreira afirmou que a ideia do SIP-IX surgiu ainda em 2012, quando o setor já discutia “criar um hub único de interconexão para operadoras de telefonia”, mas a tecnologia disponível ainda não tornava o modelo viável. Segundo ele, com a adoção mais ampla do SIP pelas operadoras, o projeto ganhou tração e foi lançado ao mercado no fim do ano passado. “O hub é um ponto de troca de tráfego único de serviços de telefonia, tanto fixo quanto móvel”, resumiu.

Pela estrutura desenhada, o IX.br entra como base neutra de conectividade. Julio Sirota explicou que, para atender ao projeto, foi criada uma “VLAN multilateral”, acessível aos participantes do IX.br, sem cobrança recorrente adicional além de eventual taxa de ativação. “Toda a gestão é por conta do CPIX”, disse. Segundo ele, o IX.br não assume a gerência do serviço de voz, mas fornece a base de interligação para esse arranjo.

Na visão das operadoras regionais, o principal ganho é reduzir um processo descrito como lento e oneroso. Neylon Estevam Narciso, da Brisanet, afirmou que a interconexão tradicional é “uma dor crônica” para as prestadoras de pequeno porte. Ao relatar a experiência da empresa, disse que já chegou a levar “dois anos” para concluir a interconexão necessária para abrir uma cidade. Para ele, a telefonia fica isolada dentro da própria rede como uma “ilha”, em que o cliente fala apenas com usuários da mesma operadora até que todos os acordos técnicos e comerciais com terceiros sejam concluídos.

Menos burocracia e mais escala

Neylon ainda relatou que, no modelo tradicional, a operadora precisava pedir acesso ao site de outra prestadora, contratar transporte, arcar com custos elevados e atravessar meses de tratativas burocráticas e técnicas. “A facilidade que vem voltando agora ao SIP-IX é isso”, afirmou, ao defender que o arranjo permite à operadora compor seu portfólio de voz com menos fricção operacional.

Elton Salvador, da Unifique, trouxe diagnóstico semelhante. Segundo ele, a empresa já levou “um ano e oito meses” para concluir interconexões e precisou migrar de TDM para SIP para reduzir dependências e dar escala à operação. “O que o hub traz para nós é a simplificação e um custo mais baixo”, afirmou. Ele também citou a crise da Oi como um fator que acelerou movimentos de adaptação em parte do mercado.

Pela TelComp, Luiz Henrique Barbosa da Silva afirmou que a discussão se conecta a uma agenda mais ampla de eficiência e até de soberania setorial. “Tem uma oportunidade aqui de simplificar com o hub, com o SIP-IX, repensar esses processos”, disse. A agenda inclui também iniciativas para “retomar a credibilidade” da telefonia, em um ambiente marcado por spam, fraudes e perda de confiança nas chamadas.

Do lado regulatório, Fábio Casotti evitou indicar um modelo vencedor e defendeu uma “perspectiva regulatória agnóstica”, capaz de “acomodar, permitir e reservar o mercado à escolha daquela que se mostre mais adequada à necessidade da demanda e da operação brasileira”. Em outro momento do painel, ele classificou 2027 como um período “promissor”, diante das mudanças associadas à numeração para SCM e à interoperabilidade.

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