Setor de TI defende incentivos à exportação de serviços

A Brasscom colocou a Lei 15.359 no centro do debate sobre exportação de serviços e financiamento à internacionalização de empresas brasileiras de tecnologia. Em evento da entidade, nesta terça-feira, 14, em Brasília, o tema foi tratado como peça relevante para reduzir entraves históricos do setor e ampliar o acesso a instrumentos oficiais de crédito, seguro e garantias.

Sérgio Sgobbi, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Brasscom, afirmou que a discussão ocorre “no timing correto”, porque “agora no final de março do dia foi sancionada a lei 15359, que modernizou os instrumentos para financiamento à exportação de serviços”. Na sequência, ele observou que a nova norma ainda depende de regulamentações posteriores e destacou o principal gargalo do setor: a dificuldade de oferecer garantias em operações baseadas em ativos intangíveis.

Segundo Sgobbi, “na questão dos serviços, a questão da imaterialidade é o foco principal”. Para ele, esse fator ajuda a explicar por que empresas de tecnologia enfrentam obstáculos maiores para acessar crédito quando comparadas a exportadores de bens.

A discussão ocorreu em painel dedicado ao crédito à exportação de serviços, com participação também de Alexandre Machado, gerente executivo da Unidade de Negócios Internacionais do Banco do Brasil; Raquel Abdala, subsecretária de Crédito à Exportação na Secretaria-Executiva da Camex; e Vladimir de Souza, chefe do Departamento de Comércio Exterior do BNDES.

Raquel Abdala, da Camex, confirmou o diagnóstico. “O setor de serviços tem algumas particularidades. Essa questão da materialidade que foi mencionada é bastante relevante.” Ela afirmou que, na prática, não houve operações recentes de apoio oficial a serviços: “Não temos pedidos e não temos apoio para a parte de serviços.”

Apesar disso, a subsecretária classificou a aprovação da lei como avanço. Um dos efeitos esperados é trazer mais flexibilidade para o seguro de crédito à exportação, inclusive com possibilidade de apoio a operações na fase pré-embarque, o que “pode, sim, atender o setor de serviços”, disse.

Na abertura do evento, a Brasscom já havia enquadrado o tema na sua agenda legislativa prioritária. O presidente executivo da entidade, Affonso Nina, afirmou que os eixos de infraestrutura, saúde e segurança dialogam com a tentativa de posicionar o país no mercado global de serviços. “Quando a gente fala de saúde e segurança, quando a gente fala de infraestrutura, tudo isso é para posicionar o Brasil num supply chain global de serviços”, disse.

Em coletiva à imprensa logo depois, Nina reforçou esse mesmo raciocínio. “Uma das nossas bandeiras é justamente colocar o Brasil nesse mapa mundo global da tecnologia.” Para a entidade, a expansão de instrumentos de crédito e seguro à exportação é parte desse movimento.

Alexandre Machado, do Banco do Brasil, afirmou que a instituição vê o comércio exterior como agenda relevante para o desenvolvimento do país e disse que a exportação de serviços de tecnologia pode ser atendida por linhas já existentes. “Quando a gente fala de serviços de tecnologia e a questão da imaterialidade, realmente isso é um desafio”, afirmou. Mas acrescentou: “Isso não inviabiliza a concessão do crédito e também não inviabiliza o acesso de garantias.”

Segundo ele, o banco opera produtos nas fases pré e pós-embarque, além de instrumentos como ACC, ACE e linhas voltadas à cadeia de exportação. Machado também defendeu a importância de medidas públicas para facilitar o enquadramento tributário das exportações. “O apoio do governo em criar mecanismos para que isso seja mais fácil para o exportador é crucial.”

Crédito oficial como peça da estratégia tecnológica

O debate promovido pela Brasscom procurou conectar a Lei 15.359 a uma estratégia mais ampla de inserção internacional do setor de tecnologia. A entidade sustenta que o Brasil reúne condições para ampliar a exportação de software, processamento de dados, hardware e serviços digitais, desde que consiga estruturar melhor seus mecanismos regulatórios e financeiros.

Nina afirmou que há empresas nacionais e multinacionais instaladas no país interessadas em usar o Brasil como base para atender clientes no exterior. “São empresas que daqui do Brasil querem ter uma base para fornecer serviços para contratos globais.”

O post Setor de TI defende incentivos à exportação de serviços apareceu primeiro em TeleSíntese.

Tags

Compartilhe

Anatel remarca leilão de 700 MHz para segunda-feira, dia 4 de maio
Anatel confirma abertura das propostas do 700 MHz para dia 4
Anatel confirma abertura das propostas do 700 MHz para dia 4
Setor de data centers pede velocidade e previsibilidade no Brasil
Setor de data centers pede velocidade e previsibilidade no Brasil
IA exige redes ópticas mais escaláveis e resilientes, diz Nokia
IA exige redes ópticas mais escaláveis e resilientes, diz Nokia
Ciena vê interconexão óptica como peça-chave para data centers de IA
Ciena vê interconexão óptica como peça-chave para data centers de IA
Data center leva IA soberana para serviço público do Caribe
Data center leva IA soberana para serviço público do Caribe
Fair share e Inteligência Artificial têm movimentações no Congresso
Fair share e Inteligência Artificial têm movimentações no Congresso
Associações pedem para Justiça barrar medidas sobre Fundação Atlântico na recuperação da Oi
Associações pedem para Justiça barrar medidas sobre Fundação Atlântico na recuperação da Oi
Para nova presidente da Algar, crescimento passa por transformação e reaproximação com o consumidor
Para nova presidente da Algar, crescimento passa por transformação e reaproximação com o consumidor
Instituto Claro completa 25 anos de atuação em educação e cidadania
Instituto Claro completa 25 anos de atuação em educação e cidadania