IA exige redes ópticas mais escaláveis e resilientes, diz Nokia

A expansão da inteligência artificial (IA) tende a mudar o perfil de tráfego nas redes de telecomunicações e a ampliar a demanda por infraestrutura óptica entre data centers. A avaliação foi feita por Leonardo Merlo, diretor de redes ópticas para a América Latina da Nokia, durante keynote no TS Data Centers, AI & Cloud Summit 2026, evento do Tele.Síntese nesta quinta-feira, 30, em Santana de Parnaíba-SP.

Nokia

Segundo Merlo, o uso de IA não se limita à interação do usuário com ferramentas generativas. Por trás de cada comando, há um ecossistema de redes, servidores, roteadores, switches e transporte óptico que precisa suportar fluxos mais dinâmicos de dados.

“Não adianta você ter a melhor AI do mundo se a sua rede não está preparada para ser consumida por ela”, afirmou.

Tráfego de IA

Merlo disse que o tráfego humano tende a representar uma parcela menor do consumo total das redes. Para ele, o tráfego máquina a máquina crescerá de forma mais intensa, com impacto em redes metropolitanas, last mile, acesso, backhaul e core.

“O machine to machine é um tráfego muito mais exponencial, ele impacta muito mais, ele é muito mais dinâmico”, afirmou.

Na avaliação do executivo, a interconexão entre data centers passará a ter papel mais relevante para aplicações de IA, inclusive em modelos distribuídos. Ele citou arquiteturas em que data centers separados por até 100 km operam de forma sincronizada, o que exige planejamento de rede voltado à baixa latência.

Quatro pilares

A Nokia trabalha com quatro pilares para infraestrutura de rede voltada à IA: escalabilidade, eficiência energética, simplicidade operacional e segurança. Merlo afirmou que o crescimento do tráfego não pode ser acompanhado por aumento linear de consumo de energia.

“Você precisa usar a tecnologia a seu favor e ao longo do tempo ir melhorando cada vez mais a quantidade de energia que você está consumindo para aquela capacidade que você está processando”, disse.

Ele também citou avanços em módulos ópticos. Segundo o executivo, equipamentos atuais de 800 Gb conseguem reduzir em 85% o consumo de energia e ampliar em seis vezes a capacidade dentro de um rack em comparação com soluções anteriores.

Fibra oca e latência

Merlo mencionou ainda testes com hollow core fiber, tecnologia de fibra oca, realizados com Lightera e Scala Data Centers. Segundo ele, a solução permitiu melhorar em 36% a latência de interconexão entre data centers e ampliar em 46% a distância possível entre os pontos conectados.

A tecnologia, afirmou, não deve ser aplicada a todos os casos inicialmente, mas pode ser relevante para data centers próximos que precisem operar de forma sincronizada.

Segurança pós-quântica

O executivo também chamou atenção para a segurança das redes ópticas diante da evolução da computação quântica. Segundo ele, a criptografia atual ainda não está preparada para esse cenário.

“Hoje os sistemas de criptografia que a gente tem funcionando nas redes óticas usam uma tecnologia que não é pós-quântica”, afirmou.

Merlo citou o risco de coleta atual de dados para descriptografia futura. “Você colhe agora dados que você sabe que são importantes, que podem influenciar o futuro, e você, quando tiver a tecnologia disponível, quebra e usa esses dados a seu favor”, disse.

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