Setor de data centers pede velocidade e previsibilidade no Brasil

Data centers Painel 2 capa

Aconteceu hoje em Santana de Parnaíba o TS Data Centers, AI & Cloud Summit 2026, que reuniu executivos de operadoras e fornecedores de infraestrutura digital para discutir os fatores que pesam nas decisões de investimento em data centers no Brasil.

O painel sobre “Escala, capital e decisões de investimento” contou com Elvis Leonardo Cezar, Prefeito de Santana de Parnaíba; Edwin Tello, Presidente ACOLDC – Asociación Colombiana Datacenters y Tecnologías de Datos; Marcos Siqueira, CRO e Head de Estratégia da Ascenty; José Miguel Vilela, CEO da Tecto Data Centers; Victor Arnaud, Presidente da Equinix no Brasil; Ricardo Alário Arantes, CEO LATAM da ODATA; Fernando Capella, Diretor Regional CALA Sul na Ciena; Alessandro Lombardi, Chairman e Fundador da Elea Data Centers. Ele foi moderado por Renan Alves, Cofundador e Presidente da ABDC (Associação Brasileira de Data Center).

Na abertura da discussão, Marcos Siqueira, da Ascenty, afirmou que o Brasil segue atrativo para receber projetos de infraestrutura digital por reunir mercado, custo de energia e matriz limpa. Segundo ele, o crescimento não se limita às cargas corporativas e de nuvem, mas passa a incluir projetos de inteligência artificial em escala maior. “O Brasil pode ser, de fato, um grande hub de infraestrutura digital para o mundo”, afirmou.

José Miguel Vilela, da Tecto Data Centers, disse que o país já dispõe de vantagens competitivas, mas associou a captura de investimentos a três pontos: “estabilidade regulatória, impostos competitivos, burocracia eficiente, porque o ritmo de aprovação importa”. Ele acrescentou que o setor não pede subsídio, mas “isonomia”, e voltou ao tema no encerramento para resumir sua demanda em uma expressão: “senso de urgência”.

ReData e regulação de IA

No painel, Victor Arnaud, presidente da Equinix no Brasil, associou a expansão do setor à necessidade de o país resolver o ReData e avançar no debate regulatório sobre inteligência artificial. “Se a gente conseguir resolver a parte do ReData, a gente entra numa corrida por regulação de IA onde nenhum país acertou até agora”, afirmou.

De acordo com o executivo, o país pode buscar posição mais forte se combinar o regime tributário com regras mais seguras para workloads de dados.

Ricardo Alário Arantes, da ODATA, também defendeu maior velocidade do país na construção desse ambiente. Segundo ele, o Brasil está em posição favorável, mas outros mercados estão se movendo para atrair investimentos. “O Brasil demora muito, não tem essa noção de velocidade”, disse. Ao tratar da carga tributária, afirmou que a nuvem no país custa “15% a 20% ou mais em dólar” acima de outros mercados e acrescentou que o crescimento do setor poderia ser maior se o país conseguisse exportar dados.

Capital de longo prazo e conectividade

Ao comentar o aporte recebido pela Elea, Alessandro Lombardi afirmou que o investimento reforça uma visão de longo prazo sobre o mercado brasileiro. “O setor de data center não é um setor oportunista”, disse. Para ele, a expansão da infraestrutura digital no país depende de horizonte longo e de continuidade dos projetos. Ele defendeu a expansão da infraestrutura “nas pontas do Brasil”, com atenção social, sustentabilidade e presença fora do eixo Rio-São Paulo.

Pelo lado da conectividade, Fernando Capella, da Ciena, afirmou que energia e capacidade computacional não são os únicos fatores em discussão. A expansão da IA aumenta a pressão sobre o transporte de dados e exige modernização da rede.

“Uma política também incentiva a modernização da infraestrutura de fibra, não somente da parte submarina, mas também da parte terrestre”, disse. O executivo acrescentou que “o Brasil é um país caro quando a gente fala de implantação de equipamentos de telecomunicações”.

Santana de Parnaíba entra no debate

O painel também tratou do papel do poder público local na atração de data centers. O prefeito Elvis Cesar afirmou que a cidade trabalha com desburocratização, segurança e agilidade no licenciamento. “A desburocratização daquilo que não é ruim é essencial para a implantação dos projetos”, disse.

Segundo Elvis, Santana de Parnaíba tem a mesma autonomia da Cetesb para aprovar novos investimentos e busca atuar em conjunto com as empresas na viabilização dos empreendimentos.

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