Saturação acelera consolidação entre provedores, dizem CEOs

O crescimento acelerado dos provedores regionais ficou no passado. Hoje, sobrevivência e expansão são pautadas por governança, disciplina financeira, escala operacional e uso de inteligência artificial para ganho de produtividade. Essa foi a principal mensagem de executivos de grandes operadoras regionais durante painel realizado nesta quarta-feira na Abrint Global Congress, que discutiu os desafios para a próxima etapa de consolidação do mercado.

Na avaliação dos CEOs, o setor entrou em uma nova fase, marcada por saturação da base de clientes, pressão sobre preços, aumento da competição e necessidade de investimentos contínuos em tecnologia e atendimento. “Não dá mais para trabalharmos como em 2022. O mercado está completamente saturado. Agora, gestão é a palavra chave”, afirmou Fabiano Busnardo, CEO da Unifique.

Segundo o executivo, a partir de uma base de 100 mil assinantes, decisões de estruturação da gestão deixam de ser opcionais. A companhia, que se aproxima de 1 milhão de clientes, vem ampliando investimentos em sistemas e inteligência artificial para elevar produtividade e melhorar a experiência do cliente.

Busnardo também chamou atenção para a disciplina financeira, que deve ser uma condição obrigatória para crescimento sustentável. “Lucro não é dinheiro para tirar da empresa. Ou investe ou morre”, disse o executivo, citando a necessidade de reinvestimento constante em atualização tecnológica.

Na visão de José Roberto Nogueira, CEO da Brisanet, o crescimento exige profissionalização da operação e mudança cultural. O executivo lembrou que a companhia iniciou a estruturação formal da operação em 2015, com o primeiro balanço auditado, e avançou para um novo estágio em 2020, quando foi transformada em sociedade anônima para preparação da abertura de capital. Hoje, com 9 mil funcionários, o desafio é alinhar a organização à estratégia de longo prazo. “A infraestrutura continua importante, mas a corrida agora é atendimento, performance e experiência.”

Outra questão levantada por ele é a pressão por ticket médio abaixo do preço considerado sustentável. “Isso é um dos principais riscos para o setor. É preciso entender também que o resultado precisa voltar para Capex. A rede tem que estar sempre atualizada.”

Consolidação deve reduzir número de provedores

A expectativa de consolidação também foi consenso entre os participantes. Para Cristiano Santana, CEO da ZaaZ, o crescimento exige planejamento financeiro e visão estratégica. “Lucro é caixa para reinvestimento, não dinheiro no bolso.”

O executivo acredita que o mercado brasileiro deve passar por forte redução no número de players.  Ele ainda destacou que a competição deixou de estar concentrada apenas entre provedores regionais. “Não dá mais para subestimar as grandes operadoras. Elas também estão no nosso mercado.”

Para Rodrigo Pedrosa, do Grupo DTEL, os provedores ainda exploram pouco a relação direta que mantêm com o consumidor dentro de casa. Segundo ele, essa proximidade abre espaço para ampliar a oferta de serviços e aumentar a geração de receita.

O executivo também afirmou que o mercado de operadoras móveis virtuais (MVNO) ainda está em estágio inicial no Brasil, mas tende a ganhar escala nos próximos anos. “A escala será determinante. Unir forças com outros provedores será cada vez mais importante.” Na sua visão, o próximo movimento do setor será concentrar, em uma única plataforma, diferentes serviços consumidos pelo cliente.

Outro tema levantado pelos executivos foi o ambiente regulatório. Para Busnardo, da Unifique, a organização do uso dos postes, discutida há mais de uma década, pode finalmente avançar. Os painelistas também concordaram sobre a necessidade de revisão do modelo de competição baseado apenas em preço. “O mercado já passou do momento de fazer negócio de qualquer jeito. É preciso preço justo e operação regularizada”, finalizou o CEO da Brisanet.

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