O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou nesta quarta-feira, 6, para Washington, onde terá uma reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcada para quinta-feira, 7, na Casa Branca. O encontro deve concentrar-se em comércio bilateral, combate ao crime organizado transnacional, minerais críticos e temas ligados à economia digital.

A viagem ocorre em meio às discussões sobre tarifas comerciais e sobre o posicionamento dos dois países em relação à exploração e processamento de terras raras e minerais estratégicos, considerados essenciais para cadeias industriais de tecnologia, semicondutores, baterias, data centers e infraestrutura energética.
Segundo o governo brasileiro, a reunião também será usada para apresentar ações recentes de cooperação internacional contra organizações criminosas. No mês passado, Brasil e Estados Unidos anunciaram um acordo de cooperação mútua voltado ao combate ao tráfico internacional de armas e drogas.
A parceria prevê compartilhamento de informações sobre apreensões realizadas nas aduanas dos dois países, permitindo rastrear rotas, padrões logísticos e vínculos entre remetentes e destinatários de cargas ilícitas.
Além de Lula, integram a comitiva os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Wellington César (Justiça e Segurança Pública), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Tarifas e reciprocidade
À imprensa, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou esperar que a reunião contribua para “normalizar” a relação bilateral entre os dois países.
Segundo ele, o governo brasileiro reiterará às autoridades norte-americanas que poderá aplicar medidas de reciprocidade caso os Estados Unidos adotem tarifas contra produtos brasileiros por razões políticas.
A questão comercial ganhou relevância adicional diante da investigação conduzida pelos EUA sob a Seção 301, instrumento utilizado pelo governo norte-americano para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano.
Economia digital e data centers
A Amcham Brasil divulgou nota defendendo que o encontro avance em uma agenda “pragmática” envolvendo tarifas, minerais críticos, economia digital, energia e combate ao crime transnacional.
Segundo Abrão Neto, presidente da entidade, uma agenda com resultados concretos nesses temas pode “destravar o potencial da relação econômica bilateral”.
Na área digital, a entidade defendeu medidas voltadas à ampliação de investimentos em inteligência artificial e data centers, além da manutenção de condições favoráveis para a economia digital.
A Amcham também citou como prioridade a busca de uma solução negociada em torno da moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a não imposição de tarifas aduaneiras em transmissões eletrônicas, tema acompanhado por empresas de tecnologia, provedores de serviços digitais e operadores de infraestrutura.
Minerais críticos entram na pauta
Outro ponto destacado pela Amcham é a construção de uma cooperação bilateral em minerais críticos e terras raras, incluindo transformação industrial, inovação tecnológica, financiamento e atração de investimentos.
O tema vem ganhando espaço nas agendas internacionais devido à crescente demanda por insumos utilizados em baterias, infraestrutura energética, equipamentos eletrônicos, redes de telecomunicações e aplicações de inteligência artificial.
A expectativa é de que Lula retorne ao Brasil logo após a reunião bilateral.
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