Mais uma transação bilionária no mercado de satélites. A Rocket Lab fechou um acordo de US$ 8 bilhões para adquirir a provedora de comunicações via satélite Iridium Communications, apostando em uma vantagem competitiva ao estilo da SpaceX: combinar uma constelação de satélites com os foguetes próprios que os lançarão.
O negócio acelera a estratégia da Rocket Lab de expandir sua atuação para além dos serviços de lançamento, incorporando uma rede de satélites já estabelecida, com seu espectro de radiofrequência coordenado globalmente e milhões de clientes — majoritariamente corporativos e governamentais.
Esses são ativos que, se fossem desenvolvidos internamente, exigiriam da Rocket Lab vários anos e bilhões de dólares de investimentos.”Já começamos com um negócio muito lucrativo na Iridium; essencialmente, uma constelação totalmente nova… E, claro, o espectro, que é fundamental”, reconheceu o fundador e CEO, Peter Beck, à Reuters.
A Rocket Lab afirmou que o acordo permitirá expandir o negócio de conectividade direta a dispositivos (Direct-to-Device) da Iridium e ingressar em “mercados inexplorados, além de ser pioneira em novos serviços espaciais”. Peça-chave na estratégia da empresa de lançar suas próprias constelações de satélites é o Neutron, seu foguete reutilizável de capacidade média, cujo primeiro voo está previsto para o quarto trimestre de 2026.
“Ao adquirir a Iridium, a Rocket Lab garante imediatamente uma base inicial de clientes e uma rede de distribuição, o que pode se mostrar ainda mais valioso do que o hardware, os direitos de espectro e outros ativos obtidos no negócio”, afirmou Micah Walter Range, presidente da consultoria espacial Caelus Partners.
Fundada pela Motorola no final da década de 1980, a Iridium foi pioneira em uma das primeiras redes globais de comunicação via satélite em órbita baixa da Terra. Em 1985, por exemplo, era usada como modernidade absoluta no seriado MacGiver, um agente secreto que resolvia os problemas com o uso da tecnologia e da criatividade.
A trajetória da Iridium foi de altos e baixos. A empresa sobreviveu a uma falência de grande repercussão em 1999; rompeu um contrato com a Qualcomm e reinventou-se como uma prestadora de serviços de comunicação para clientes dos setores governamental, de aviação, marítimo e industrial. No Brasil, a Iridium chegou com força nos anos 80, mas também viu seu negócio afundar com a derrocada global.

