
Cerca de 74% das escolas brasileiras contempladas pela Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec) já contam com monitoramento contínuo da qualidade da internet, com medições automáticas realizadas a cada quatro horas. O dado, apresentado pelo Ceptro.br durante painel realizado na Abrint Global Congress, deixa claro a nova fase do país na educação, que vai além da ampliação do acesso à Internet e inclui a conectividade significativa para gerar um verdadeiro impacto no ensino público.
Desenvolvida pelo Ceptro.br/NIC.br em parceria com o Ministério da Educação (MEC), a ferramenta já realizou mais de 120 mil medições e acompanha, atualmente, cerca de 102 mil das 138 mil escolas previstas na estratégia nacional, com uma cobertura equivalente a aproximadamente 74% do total de unidades contempladas pela política, com presença em todas as regiões do país. Segundo Gabriela Marin, cientista de dados do Ceptro.br, o sistema monitora indicadores como upload, download, perda de pacotes e latência, permitindo acompanhamento em tempo real e ações preventivas para correção de falhas.
Além do monitoramento, a especialista destacou o uso de inteligência artificial para apoiar decisões de infraestrutura, incluindo modelos capazes de prever a melhor tecnologia de atendimento a partir da proximidade entre escolas e redes de fibra já existentes.
O avanço do monitoramento acompanha uma mudança mais ampla na política pública de conectividade escolar. De acordo com Eduardo Takafashi, diretor de projetos de infraestrutura e inclusão digital do Ministério das Comunicações (MCom), o Brasil vive uma nova etapa. “A Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, criada em 2023, consolidou iniciativas que antes eram conduzidas de forma isolada e passou a reunir MEC, Anatel, MCom e entidades privadas em uma agenda única.”, completou.
Segundo ele, a política passou a avaliar realidades distintas entre escolas nos grandes centros e unidades localizadas em regiões remotas, definindo parâmetros de velocidade, cobertura Wi-Fi e capacidade de atendimento de acordo com o porte de cada instituição.
O executivo também destacou a parceria com a EACE e provedores regionais para levar fibra óptica a municípios afastados. “Quando a infraestrutura chega à escola, o impacto pode extrapolar o ambiente educacional e ampliar a conectividade para comunidades do entorno.”
Mais de 22 mil escolas conectadas
Flávio Santos, diretor-geral da EACE, afirmou que o modelo criado a partir das obrigações do leilão do 5G trouxe escala e velocidade de implantação. De acordo com ele, mais de R$ 3 bilhões foram aportados pelas operadoras dentro da política pública, que inovou ao criar uma entidade privada responsável por executar os investimentos com acompanhamento dos órgãos públicos.
Atualmente, a operação já ultrapassa 22 mil escolas conectadas, com ritmo superior a 100 implantações por dia. Santos disse que mais de 400 provedores foram contratados indiretamente para execução dos projetos, permitindo capilaridade e geração de negócios locais. São cerca de cerca de 2 milhões de estudantes foram impactados, com meta de alcançar 7 milhões até o fim do programa.
Apesar do avanço, a expansão da conectividade continua enfrentando desafios operacionais em regiões afastadas. Santos relatou operações em comunidades ribeirinhas e ilhas na Região Norte, onde o deslocamento pode exigir dias de viagem. Em Breves, no Pará, por exemplo, equipes precisaram enfrentar deslocamentos de até 12 horas de barco para implantação.
A falta de energia elétrica também aparece como um dos principais obstáculos. Segundo ele, mais de 1,5 mil unidades de geração fotovoltaica já foram instaladas em escolas para viabilizar a conectividade em localidades sem infraestrutura básica.
Além das barreiras logísticas, o executivo citou desafios culturais e sociais, especialmente em áreas indígenas e comunidades isoladas.
Para Maria Parreiras, da área de economia do BNDES, a articulação institucional promovida pela Enec representa um avanço, mas a sustentabilidade da política dependerá da capacidade de estados e municípios assumirem protagonismo no financiamento da conectividade. “Além dos recursos da Lei 14.172 e das obrigações do leilão do 5G, será necessário ampliar mecanismos de crédito e financiamento para complementar os recursos não reembolsáveis.”
A executiva acrescentou que a sustentabilidade não deve ser analisada apenas pelo aspecto financeiro. Também é necessário garantir dispositivos, projetos pedagógicos e capacitação para que a conectividade seja incorporada ao processo de ensino.
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