
Em um cenário onde a transformação digital exige velocidade e especialização, o governo do estado de São Paulo está buscando fora de seus muros a agilidade necessária para modernizar o atendimento aos seus 46 milhões de habitantes. Através da Prodesp, detentora do maior data center da América Latina, o estado consolidou um modelo de inovação aberta que conecta a robustez das empresas públicas ao dinamismo das GovTechs.
Durante palestra realizada nesta quinta-feira, 6, no SECOP 2026, o head de inovação da Prodesp, Johnatan Highlander, apresentou alguns dos pilares da estratégia. Um deles é o programa “Prodesp for Startups”, um edital de fluxo contínuo desenhado para monitorar o mercado e identificar soluções disruptivas de forma permanente. O objetivo é claro: superar as limitações burocráticas tradicionais e oxigenar a gestão pública com novas tecnologias.
“Como órgãos estatais, precisamos entender nossos limites; por isso fazemos parcerias”, afirmou Highlander. “É o que chamamos de inovação aberta. Trabalhando com agentes externos, as empresas públicas garantem a escala enquanto as startups garantem a inovação, tudo com governança e dados qualificados”, explicou.
A aposta paulista não foi feita por acaso. O mercado de GovTechs – startups focadas em soluções para o setor público – vive uma explosão. Segundo o Fórum Econômico Mundial, o potencial desse setor é estimado em US$ 9,8 trilhões globalmente. No Brasil, o crescimento foi de 493% entre 2018 e 2024, impulsionado pela digitalização da população: hoje, 82% dos brasileiros já utilizam a plataforma gov.br.
Para capturar esse valor, a Prodesp estruturou um ecossistema que já conta com mais de 400 startups inscritas. Atualmente, 85 delas estão homologadas e aptas a operar, divididas em 26 segmentos de atuação. O nível de maturidade é alto: 23 dessas empresas são GovTechs consolidadas, com faturamento recorrente (ARR) médio de R$ 10 milhões, e 85% já possuem experiência prévia em projetos governamentais.
Os resultados dessa integração já podem ser sentidos em nove órgãos estaduais, incluindo a Secretaria da Educação, a CDHU e a Procuradoria Geral do Estado (PGE SP), onde diversos MVPs (Produtos Mínimos Viáveis) estão em fase de teste ou implementação.
Outro pilar dessa estratégia é o Govchallenge SP, desenvolvido em parceria com a Fapesp. O programa lançou desafios específicos do estado, atraindo 108 startups interessadas em resolver problemas reais da administração. Entre os exemplos de sucesso, destacam-se:
- Lize: uma solução que utiliza Inteligência Artificial (IA) para a gestão inteligente de provas na rede estadual de ensino.
- Intelectiva (Plataforma GenAtiva): focada em simplificar o uso de IA generativa no governo, otimizando fluxos complexos de compras públicas e oferecendo suporte especializado às áreas jurídicas.
Highlander disse que, para a Prodesp, a Inteligência Artificial não é apenas uma tendência, mas um potencializador das capacidades humanas. “Ao unir a escala do estado com a agilidade das startups, São Paulo busca se posicionar na vanguarda da governança digital, entregando serviços mais eficientes e baseados em dados qualificados para o cidadão”, concluiu.



