O Brasil alcançou 84,6 pontos de 100 no ICT Development Index (IDI) 2026, da União Internacional de Telecomunicações (UIT), praticamente estável em relação aos 84,4 pontos registrados na edição anterior. O resultado mantém o país acima da média global, de 79 pontos, e também da média das Américas, igualmente de 79, mas revela uma diferença relevante entre a disponibilidade e as condições das redes e a efetiva universalização do acesso à internet.

O índice brasileiro avançou de 81,9 pontos em 2023 para 82 em 2024, 84,4 em 2025 e 84,6 em 2026. A evolução acumulada no período foi, portanto, de 2,7 pontos, abaixo do ganho médio de 5 pontos registrado pelas economias de renda média-alta — grupo no qual o Brasil está classificado no levantamento.
A UIT não publica ranking entre os países. A metodologia privilegia a distância de cada economia em relação à chamada conectividade universal e significativa, conceito segundo o qual todos devem poder acessar a internet em condições adequadas, com preço acessível e quando necessário. O IDI combina dez indicadores distribuídos entre os pilares de conectividade universal e conectividade significativa.
Infraestrutura supera adoção
O principal contraste brasileiro aparece nos dois pilares do índice.
O país recebeu 80,9 pontos em conectividade universal, que mede principalmente adoção e utilização, e 88,2 pontos em conectividade significativa, indicador mais associado à infraestrutura, cobertura, tráfego, preços e disponibilidade de dispositivos. A diferença é de 7,3 pontos.
O padrão não é exclusivo do Brasil. A própria UIT observa que o desempenho global é melhor em conectividade significativa porque cobertura de redes e infraestrutura podem avançar mais rapidamente por meio dos investimentos das operadoras. Já a universalização depende também do comportamento dos consumidores e da efetiva adoção dos serviços.
Os números brasileiros ajudam a evidenciar essa diferença. Segundo a base utilizada pelo IDI, 84,5% dos indivíduos usam a internet e 83,4% dos domicílios têm acesso à rede. Ao mesmo tempo, o país contabiliza 98,9 assinaturas de banda larga móvel para cada 100 habitantes.
O levantamento registra ainda cobertura de 92,7% da população por redes de pelo menos 3G e de 91,2% por 4G/LTE na base considerada para o índice.
Esses indicadores contribuem para que a pontuação relativa à conectividade significativa seja superior àquela relacionada à universalização do acesso.
Preço da banda larga fixa ainda pesa
No quesito de acessibilidade econômica, a cesta de alto consumo de dados e voz móvel representa 0,7% da renda nacional bruta per capita no Brasil. Na banda larga fixa, o peso sobe para 2,5%.
A diferença também aparece nos resultados normalizados calculados pela UIT. O Brasil alcança a pontuação máxima de 100 no indicador de preço da cesta móvel, enquanto recebe 95,5 pontos no preço da banda larga fixa.
Já a proporção de pessoas que possuem telefone celular chega a 87,4%, equivalente a 92 pontos na escala normalizada usada pelo índice.
No tráfego, o estudo registra 69,1 GB de banda larga móvel por assinatura e 1.884,5 GB por assinatura de banda larga fixa na base utilizada para o cálculo. Os respectivos desempenhos normalizados ficam em 68,4 e 81,9 pontos, indicando margem para avanço, sobretudo no uso das redes móveis.
Brasil supera média regional
Os 84,6 pontos colocam o Brasil acima da média das Américas, de 79 pontos, e ligeiramente acima da média de 83 pontos das economias de renda média-alta.
Entre países relevantes da região, o resultado brasileiro ficou abaixo de Chile, com 93,8 pontos; Uruguai, com 91,9; Canadá, com 89,9; e Costa Rica, com 86. O Brasil superou Argentina, com 83,4; México, com 83,3; Peru, com 81,2; e Colômbia, com 79,4. A UIT, entretanto, ressalta que esses valores não devem ser interpretados como um ranking formal.
Globalmente, a edição de 2026 abrange 159 economias e registra média de 79 pontos. Entre as 151 economias presentes simultaneamente nas edições de 2023 e 2026, a pontuação média subiu seis pontos, de 74 para 80. Nas Américas, o avanço médio foi de cinco pontos no mesmo intervalo.
O desempenho brasileiro, portanto, mostra evolução desde 2023, mas em ritmo inferior à melhora média observada tanto no conjunto comparável de países quanto entre economias de renda média-alta.
Índice não mede 5G nem velocidade
A UIT ressalta que o IDI oferece apenas uma visão parcial da conectividade digital.
O índice atual não considera penetração da banda larga fixa, velocidade da internet, cobertura 5G, competências digitais nem segurança online, fatores que poderiam modificar a avaliação do estágio de desenvolvimento digital de cada país.
Também há uma defasagem temporal. O IDI 2026 utiliza prioritariamente dados referentes a 2024; quando não há informação oficial disponível, podem ser usados números de 2023 ou estimativas.
A metodologia atual está em sua quarta e última edição. A UIT iniciou o processo de revisão do índice para o ciclo que começa em 2027, embora a entidade reconheça que a escassez de estatísticas internacionalmente comparáveis ainda limita a inclusão de dimensões como habilidades digitais e segurança.
Confira aqui íntegra do estudo da UIT.
O post Brasil chega a 84,6 pontos no índice digital da UIT, mas avanço desacelera apareceu primeiro em TeleSíntese.

