Positivo usa Manaus para entrar na disputa pelos AI PCs no Brasil

Fabrica Positivo fachada

A Positivo Tecnologia colocou em prática uma nova frente de atuação no mercado brasileiro de computadores ao iniciar a produção local de notebooks com IA embarcada em sua fábrica de Manaus, em parceria com a Intel. A movimentação insere a fabricante nacional em uma disputa bastante acirrada por multinacionais e amplia o papel do Polo Industrial de Manaus dentro da nova cadeia de hardware voltada à inteligência artificial.

O movimento ocorre semanas após o anúncio do Positivo Master Copilot+ PC, nova geração de notebooks equipada com processadores Intel Core Ultra Série 3, arquitetura Panther Lake e NPU dedicada de 50 TOPs. O equipamento atende aos requisitos definidos pela Microsoft para a categoria Copilot+ PC, voltada à execução de recursos avançados de IA diretamente no dispositivo.

Positivo AI PC 1

Mais do que um lançamento de produto, a chegada dele ao Brasil e toda operação representa uma mudança na forma como a empresa pretende capturar essa nova demanda por hardware especializado em IA, principalmente entre empresas.

Produção de acordo com demandas

Durante visita do Tele.Síntese à fábrica da Positivo em Manaus, executivos da companhia detalharam como a operação industrial é ajustada para absorver esse novo ciclo. Segundo Marcos Antonio Beghini Junior, diretor industrial da empresa, a fábrica possui cerca de 3 mil colaboradores e cada linha de produção é capaz de fabricar cerca de 120 computadores por hora.

Além disso, a Boreo, braço industrial da Positivo em Manaus, produz placas-mãe e componentes em grande escala para abastecer essa demanda.

Positivo linha de produção 2
Uma das linhas de produção (Imagem: Adriano Camargo)

Hoje, a planta trabalha com diferentes categorias de equipamentos e reorganiza seu mix produtivo de acordo com os pedidos. “Hoje nós temos diversas categorias de produtos em fabricação, como  servidores, máquinas de cartão (POS) e notebooks, e conseguimos ajustar de acordo com a demanda e sazonalidade de nossos clientes”, afirmou Beghini.

Positivo linha de produção
Detalhe da linha de produção (Imagem: Adriano Camargo)

No caso da linha de servidores, a fábrica é capaz de montar cerca de 20 unidades por dia.

Fabrica Positivo - servidor 4
Equipamento sendo montado (Imagem: Adriano Camargo)

A Positivo já fabricava infraestrutura para IA em data centers, e agora começa a levar essa inteligência para a borda, com AI PCs. A expectativa da empresa é ampliar gradualmente a participação dos AI PCs dentro do portfólio, segundo os executivos. A avaliação é de que a demanda corporativa por inteligência artificial já começa a impactar diretamente o planejamento fabril.

Fabrica Positivo - servidor 2
Servidor com quatro processadores (Imagem: Adriano Camargo)

IA local entra no radar das empresas

O avanço dos AI PCs acontece em um momento em que empresas buscam reduzir custos ligados ao uso intensivo de plataformas de IA em nuvem. A lógica passa pelo custo operacional de tokens, processamento remoto e armazenamento externo. Nesse contexto, a possibilidade de executar parte das tarefas localmente surge como alternativa para reduzir despesas e manter maior controle sobre dados sensíveis.

Positivo AI PC 2
Detalhes do AI PC (Imagem: Adriano Camargo)

Segundo estimativas do setor, o mercado brasileiro de PCs corporativos movimenta cerca de 6,5 milhões de unidades por ano. Dentro desse universo, a nova geração de AI PCs começa a ganhar espaço, acompanhando uma tendência global que deve elevar essa categoria de 31% para 55% de todos os embarques mundiais entre 2025 e 2026, segundo a Gartner.

No ambiente corporativo, a adoção já entrou em fase prática: 60% das empresas já testam ou implementam AI PCs, movimento puxado principalmente pelo avanço das NPUs e pelo interesse em rodar IA localmente.

“Temos a questão de soberania e segurança das informações. Com a possibilidade de gestão dos dados localmente, sem a necessidade do envio para a nuvem, é possível gerar uma economia significativa para as empresas, além de elevar o nível de segurança dos dados”, disse Edson Toffoli, vice-presidente de operações da Positivo.

Com a NPU dedicada, os novos notebooks conseguem processar diversas cargas de trabalho diretamente na máquina sem depender integralmente de serviços externos. No Brasil essa adoção ainda vem ocorrendo de forma gradual. Modelos maiores e inferências mais complexas continuam exigindo infraestrutura em nuvem ou arquiteturas híbridas, o que coloca os AI PCs como parte de uma estratégia complementar, e não substitutiva.

Manaus como ativo industrial

Para a Positivo, a produção em Manaus não é apenas uma decisão logística. A operação está diretamente ligada ao modelo industrial da Zona Franca e aos incentivos fiscais que ajudam a reduzir o custo final do produto. A companhia se beneficia de mecanismos como isenção de IPI, redução de Imposto de Importação sobre insumos e benefícios de ICMS, o que contribui para tornar viável a fabricação local de uma categoria ainda considerada premium.

“Parte dos componentes é fabricada aqui, e o que não temos produção local nós trazemos de fora. Com os incentivos conseguimos ser mais competitivos, valorizamos a indústria local e geramos empregos”, disse Edson Toffoli, vice-presidente de operações da Positivo.

Em Manaus, a companhia mantém linhas de produção de servidores voltados a data centers, computação de alto desempenho e cargas de IA. A operação insere a fabricante em diferentes níveis da cadeia computacional, do processamento central ao dispositivo final, em um momento em que empresas buscam distribuir cargas entre cloud, edge e hardware local.

Preço e competição

O Positivo Master Copilot+ PC chega ao mercado brasileiro com preço inicial de cerca de R$ 6.500, valor que varia de acordo com configuração e volume de compra para empresas. O posicionamento coloca a fabricante em uma faixa de preços agressiva quando comparada a modelos equivalentes de concorrentes como Dell, ASUS, Lenovo, Acer e HP.

Dados AI PC Intel
O foco em IA é o destaque dos novos processadores Intel (Imagem: Adriano Camargo)

Essa diferença de preço é um dos elementos centrais da companhia para ampliar a adoção da categoria no país. Enquanto fabricantes globais concentram a maior parte da oferta em modelos superpremium, a Positivo tenta usar produção local e incentivos fiscais para reduzir a barreira de entrada, acelerando a expansão.

Neste primeiro momento, a empresa confirma que a demanda está concentrada no mercado corporativo, com o equipamento projetado para pequenas, médias e grandes empresas. A companhia não revelou projeções de vendas ou volume esperado para a nova linha, mas afirma que a expectativa é do crescimento significativo desse segmento ao longo dos anos, com a chegada de mais modelos.

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