
A TIM está implantando controles para limitar o acesso de agentes de inteligência artificial a sistemas, credenciais e bases de dados corporativas. A operadora estima ter concluído cerca de 60% dessa jornada, afirmou Fábio Soares, diretor de Cyber & ICT Security da companhia, durante o evento TS Segurança Digital e Serviços Gerenciados, em São Paulo, ontem, 11.
A estratégia trata os agentes como identidades não humanas, conceito que abrange contas de aplicações, serviços automatizados e sistemas que executam tarefas sem a atuação direta de uma pessoa. O avanço da IA ampliou a preocupação porque diferentes áreas da companhia passaram a desenvolver agentes e conectá-los a informações internas.
Para Soares, o princípio central é impedir que um agente conceda ao usuário acesso superior ao que ele já possui nos sistemas da empresa. O executivo citou como exemplo uma ferramenta criada para consultar contratos.
“Você não pode dar acesso por meio de um agente maior do que o acesso que a pessoa teria diretamente à informação”, afirmou. “Se eu posso ver determinados contratos e outros não, aquele agente específico não pode me dar mais acesso do que eu teria acessando diretamente a base de dados.”
A regra exige a aplicação de privilégio mínimo, autenticação forte e rastreabilidade das operações. Também envolve retirar senhas e tokens do código das aplicações e armazená-los em cofres de credenciais, evitando que desenvolvedores insiram essas informações em arquivos ou repositórios expostos.
Inventário busca identificar agentes não autorizados
Outro ponto da estratégia é a criação de um inventário de agentes de IA. A medida permite cruzar as ferramentas em operação com os processos de aprovação e identificar aplicações desenvolvidas fora da governança estabelecida pela empresa.
Soares alertou que um funcionário com acesso privilegiado pode criar um agente usando sua própria conta e depois disponibilizá-lo a outras pessoas. Nesse cenário, usuários sem a mesma autorização poderiam consultar informações reservadas por meio da ferramenta.
“Alguém que tem uma conta com acesso privilegiado pode desenvolver um agente, colocar a própria conta nele e depois delegar esse agente para outros que vão ter a informação que aquela pessoa tinha”, exemplificou.
O inventário também deve identificar situações de shadow AI, expressão utilizada para agentes e ferramentas de inteligência artificial adotados sem conhecimento das áreas responsáveis por tecnologia e segurança.
“Estamos nessa jornada. Temos muita coisa ainda para fazer, mas eu diria que já temos cerca de 60% dessa jornada”, afirmou o diretor.
DDoS é tratado como continuidade operacional
A TIM também incorporou os ataques distribuídos de negação de serviço, ou DDoS, aos planos de continuidade operacional. Soares ressaltou que essas ofensivas podem afetar tanto os sistemas da operadora quanto a disponibilidade dos serviços prestados aos clientes.
A arquitetura de proteção inclui data centers distribuídos pelo País, análise comportamental do tráfego e mecanismos de mitigação apoiados por IA. Conforme o diretor, a operadora analisa o comportamento das conexões sem inspecionar o conteúdo transmitido, preservando a privacidade das comunicações.
Quando há tráfego legítimo misturado a pacotes maliciosos, as ferramentas procuram filtrar apenas a parcela usada no ataque. O bloqueio integral é aplicado quando o fluxo identificado é exclusivamente malicioso.
Parte dos ataques pode ter origem em equipamentos de clientes infectados e incorporados a botnets. Nesses casos, a própria mitigação pode bloquear temporariamente o usuário comprometido. Quando consegue identificar um cliente conectado à sua rede, a TIM pode entrar em contato e orientar a reinicialização ou verificação dos equipamentos.
“Já tivemos situações de entrar em contato com os clientes e dar orientação do que deveria ser feito para reduzir o problema, reiniciar os equipamentos ou identificar o que poderia estar acontecendo dentro da rede”, relatou.
A operadora mantém SOC próprio, que também presta serviços a clientes, e trabalha de forma integrada com o Centro de Operações de Rede, o NOC. A coordenação permite relacionar alterações na qualidade ou disponibilidade da rede a possíveis incidentes de segurança.
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