
A principal barreira para o crescimento da Brisanet no mercado móvel é fazer com que o consumidor identifique a empresa também como uma prestadora de telefonia celular. A avaliação foi apresentada pelo fundador da operadora, José Roberto Nogueira, durante a videoconferência sobre os resultados do segundo trimestre de 2026, nesta quarta, 12.
“A grande barreira da Brisanet hoje é a população entender que a Brisanet também é móvel”, afirmou. A empresa entrou no segmento após adquirir frequências regionais no leilão do 5G realizado pela Anatel e passou a construir uma rede própria no Nordeste e no Centro-Oeste.
Na avaliação de Nogueira, a infraestrutura instalada permite à Brisanet competir com as operadoras nacionais, sobretudo em municípios do interior. Ele afirmou que, em parte dessas localidades, a companhia já oferece 5G enquanto concorrentes ainda operam predominantemente com 4G.
O fundador também atribuiu o ritmo da expansão comercial a dificuldades enfrentadas no desenvolvimento dos sistemas usados na operação móvel. “Também, ao longo dos últimos dois anos, nós tivemos atraso com desenvolvimento de sistema e plataforma para ter uma jornada bem eficiente na venda. Mas a cada mês, nós estamos melhorando”, declarou.
Reconhecimento e experiência de rede
Nogueira afirmou que o crescimento tende a acelerar à medida que a participação da Brisanet aumenta em cada município. A estratégia comercial combina a divulgação da marca no móvel com a oferta de franquias de dados superiores às disponibilizadas por concorrentes em planos da mesma faixa de preço.
O executivo sustentou que a empresa dispõe de maior capacidade ociosa em determinadas cidades do interior, o que permitiria ampliar o tráfego sem elevar os custos da rede na mesma proporção. A avaliação é que o aumento da base poderá diluir os custos fixos da infraestrutura já instalada.
A operadora também aposta na oferta convergente para apresentar o serviço móvel aos clientes da banda larga. Os combos já alcançam 25% da base fixa e representam cerca de 40% das novas vendas mensais, conforme os dados apresentados durante a videoconferência.
ARPU deve se aproximar de R$ 30
A Brisanet pretende elevar gradualmente a receita média por usuário móvel, o ARPU. O indicador está próximo de R$ 20 e deverá avançar com o encerramento das promoções concedidas ao longo de 2025 para acelerar a formação da base.
Essas ofertas tinham duração de seis meses ou um ano e expiram gradualmente entre julho e dezembro de 2026. Com isso, a empresa projeta entrar em 2027 com o ARPU mais próximo de R$ 30 do que de R$ 25.
“O nosso planejamento é esse: buscar um ARPU permanente de no mínimo R$ 30”, disse Nogueira.
A estratégia prevê equilibrar ofertas promocionais abaixo de R$ 30 com planos de R$ 39 e R$ 49.
Rede móvel ainda depende da operação fixa
O avanço da receita móvel também é necessário para que o 5G passe a cobrir os custos financeiros relacionados à construção da rede. Nogueira afirmou que a dívida contratada para financiar a infraestrutura móvel ainda é sustentada, na maior parte, pela geração de caixa da banda larga fixa.
“Essa dívida, que tem um custo financeiro muito grande, o 5G ainda não está pagando. Quem está pagando a dívida do 5G é a banda larga fixa”, reconheceu.
A expectativa é que o aumento da base reduza gradualmente esse peso. Como parte relevante da infraestrutura já está instalada, novas receitas poderão ser incorporadas sem crescimento equivalente dos custos operacionais.
“Mais um ano, e o 5G passa a não ser mais peso e começa a ter um equilíbrio entre os resultados e o custo do dinheiro investido para fazer o capex”, projetou.
A Brisanet prevê manter investimentos anuais próximos de R$ 700 milhões e concluir a construção da rede no Nordeste e no Centro-Oeste até 2030. O cronograma poderá ser antecipado para 2029 se a entrada de clientes e os resultados da operação móvel superarem as projeções atuais, acrescentou.
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