Brisanet mira serviços após década dedicada à rede

A Brisanet pretende dedicar o período até 2030 à construção de infraestrutura de telecomunicações no Nordeste e no Centro-Oeste para, na década seguinte, ampliar a oferta de serviços digitais sobre a rede. A estratégia foi apresentada pelo fundador da operadora, Roberto Nogueira, durante a videoconferência sobre os resultados do segundo trimestre de 2026.

“A primeira onda dessa década é a infraestrutura. Então, a década de 2020 a 2030 é a década da infraestrutura: construir, fazer as estradas. A próxima década vai ser a década dos serviços”, afirmou.

O plano é concluir a implantação de sua rede móvel até 2030, com possibilidade de antecipar o cronograma para 2029 caso a entrada de clientes e a evolução dos resultados permitam acelerar os investimentos. A empresa prevê manter aportes anuais próximos de R$ 700 milhões durante esse ciclo.

Nogueira afirmou que a operadora pretende explorar a infraestrutura além da prestação de conectividade. “Nós vamos levar uma conectividade de alta performance até dentro de uma casa ou de uma empresa, mas não queremos fazer só o transporte. Nós queremos participar do serviço”, declarou.

O executivo não detalhou quais produtos deverão compor essa nova frente de negócios. Indicou, contudo, que a conectividade residencial poderá servir de acesso a diferentes aplicações e serviços digitais.

“Dentro da residência, a conectividade é o acesso para aquela casa consumir dez, 15 produtos, serviços. A Brisanet também tem que estar nesse livro”, disse.

IA amplia demanda por infraestrutura

Na avaliação de Nogueira, a disseminação da inteligência artificial aumentará a dependência de redes fixas e móveis de alta capacidade. O executivo citou o uso de assistentes digitais como exemplo de aplicação que exigirá conexão contínua entre os usuários e a infraestrutura de processamento.

“As pessoas vão ter seu assistente contínuo de IA, mas precisam de uma rede de alta capacidade entre elas e uma torre”, afirmou.

O fundador da Brisanet considera que fibra óptica e 5G formarão a base para os serviços digitais que serão desenvolvidos nos próximos anos. A estratégia da operadora será acompanhar as mudanças tecnológicas da infraestrutura e as aplicações utilizadas por consumidores e empresas.

“A infraestrutura que vai suportar os serviços que virão nos próximos anos é fibra e móvel 5G. É nisso que nós temos que ser bem assertivos, estar sempre atentos ao que vai acontecer com essas infraestruturas nos próximos anos e aos serviços que essa pessoa vai consumir”, disse.

O executivo também afirmou que as gerações posteriores ao 5G deverão aproveitar parte da arquitetura já construída, com atualizações incrementais de software e hardware. A empresa pretende manter a rede atualizada à medida que essas tecnologias forem desenvolvidas.

Processamento mais próximo do usuário

A estratégia de longo prazo também inclui a infraestrutura distribuída da Brisanet. Nogueira afirmou que a companhia dispõe de aproximadamente 300 minidata centers e relacionou esses ativos à necessidade futura de processar dados mais perto dos usuários.

“Os minidata centers que a gente construiu — são 300 —, no futuro, vão ter uma relevância muito grande, porque cada pessoa que vai processar alguma coisa e precisa que esses processadores estejam ali a menos de 100 quilômetros”, declarou.

Na visão do fundador, a infraestrutura poderá permitir que a Brisanet participe da oferta de capacidade de processamento, além de fornecer banda larga fixa e conectividade móvel. Nogueira, porém, não apresentou um cronograma, modelo comercial ou estimativa de receita para essa atividade.

“No futuro, além de banda larga, as pessoas vão ser assinantes de IA. Quem faz mais barato é quem tem infraestrutura, é quem tem baixo custo e pode colocar máquinas e ofertar plano de IA”, projetou.

Ciclo de construção mantém dividendos no mínimo

O projeto de longo prazo ajuda a explicar a decisão de manter a distribuição de dividendos em 25% do lucro durante a expansão. A prioridade será usar os resultados para concluir a cobertura planejada, especialmente em cidades pequenas do Nordeste e do Centro-Oeste.

Para Nogueira, a companhia deve ser analisada a partir desse horizonte prolongado. “A Brisanet não pode ser apresentada para um investidor como uma empresa que vai dar resultado no próximo trimestre. Tem que ser apontada como uma empresa na qual ele tem que apostar por alguns anos”, concluiu.

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