
A Motorola Solutions realizou uma prova de conceito da rede privativa de comunicação crítica do governo federal no Distrito Federal. O teste envolveu Senado, Câmara dos Deputados, Exército, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, segundo o presidente da empresa no Brasil, Gustavo Ancheschi, em evento realizado nesta quarta-feira, dia 29, em São Paulo.
O projeto é voltado à integração das comunicações entre organizações de defesa e segurança pública. Segundo Ancheschi, a demonstração permitiu que órgãos que hoje operam sistemas distintos se comunicassem em uma mesma rede. “Foi feita, há duas semanas, a prova de conceito com todos os órgãos se falando – um rádio do Exército falando na mesma rede do Senado, da PRF, da PF e da Câmara dos Deputados”, afirmou o executivo.
A Motorola Solutions foi selecionada pela EAF para atuar no projeto no ano passado, no âmbito dos compromissos assumidos pelas operadoras vencedoras do leilão do 5G de 2021. A empresa afirma que sua plataforma deverá interligar sistemas de radiocomunicação usados por órgãos e estados, independentemente da faixa de frequência utilizada por cada um.
Interoperabilidade entre redes
O projeto busca enfrentar um problema recorrente nas comunicações críticas: a falta de interoperabilidade entre redes usadas por diferentes forças de segurança e defesa. Hoje, segundo a Motorola Solutions, não há um padrão nacional, e cada estado pode operar com tecnologias e frequências próprias.
Ancheschi citou como exemplo operações em áreas de divisa entre estados, nas quais as tecnologias utilizadas por forças distintas nem sempre se comunicam. A proposta da rede privativa é criar uma camada de integração que permita a comunicação entre sistemas legados já implantados.
No desenho do projeto, a rede privativa deve atender operações de segurança pública, defesa e resposta a emergências. A primeira fase prevê a comunicação entre agentes de diferentes órgãos por meio de uma plataforma de missão crítica, com possibilidade de criação dinâmica de grupos para operações conjuntas.
LTE, vídeo e dados
A rede privativa de comunicação da Administração Pública Federal foi autorizada pelo Gaispi em julho de 2024. O projeto prevê segmentos fixo e móvel, com padrões de segurança e criptografia, para aprimorar a comunicação entre órgãos federais.
Na parte móvel, a infraestrutura será voltada a segurança pública e resposta a emergências. O projeto prevê uso de tecnologia LTE e suporte a aplicações de vídeo e dados, como bodycams, imagens de drones e geolocalização.
A operação da rede móvel caberá à Telebras, conforme o Decreto nº 11.299/2022. Além da rede móvel, o projeto inclui uma rede fixa para órgãos federais, formada por 6.500 pontos de atendimento nas 27 capitais, com fibra óptica e criptografia fim a fim.
A prova de conceito relatada pela Motorola Solutions indica avanço da etapa de integração entre órgãos. A implementação completa, porém, ainda depende das fases de implantação previstas, da integração das redes legadas e da entrada em operação da estrutura LTE dedicada.
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