fistel-suspenso:-valores-chegam-a-r$-11,68-bilhoes

Fistel suspenso: valores chegam a R$ 11,68 bilhões

(Crédito: Freepik)

As operadoras brasileiras não recolhem o Fistel há quatro anos. As empresas obtiveram uma liminar judicial que as protege da cobrança desde 2021, em função da pandemia de covid-19, dentro de uma ação anterior, iniciada em 2013. No processo, questionam a finalidade do fundo setorial.

Segundo a Anatel, os valores se acumulam ano a ano e já alcançam R$ 11,68 bilhões. Os montantes variam de empresa a empresa. A Oi, por exemplo, tem R$ 1,35 bilhão a pagar. A Claro tem R$ 2,85 bilhões. A TIM deve ao Tesouro R$ 3,02 bilhões. A Algar, R$ 124 milhões. A Sercomtel, R$ 3,86 milhões. A Vivo, R$ 4,3 bilhões.

O não pagamento do Fistel é citado pelas operadoras em seus balanços financeiros como um fator que tem reflexo positivo sobre os números. Nesta semana, o presidente da Vivo, Christian Gebara, destacou o assunto em evento a analistas de mercado e disse acreditar no sucesso da ação. “O Fistel perdeu o sentido, a finalidade. Ele arrecada muito mais do que é de fato utilizado”, falou no mesmo dia à imprensa.

A Lei Geral de Telecomunicações diz que o Fistel é usado em parte para financiar as operações da Anatel. Outra parte é destinada ao Tesouro, e outra, ao Fust.

Apenas neste ano, as operadoras deveriam pagar ainda em março o equivalente a R$ 2,54 bilhões em Fistel. O valor corresponde às taxas de fiscalização de estações e de ativações de terminais terrestres ou satelitais, além da contribuição para a radiodifusão pública. Equipamentos IoT são isentos.

Segundo o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, a agência vem dialogando com a Advocacia-Geral da União, que representa a União no processo. Apesar de valores levantados pelo Fistel financiarem as operações da agência, ele diz que não há impacto direto imediato. Isso porque o ônus de transferência recai sobre Tesouro.

“É um fundo de natureza contábil. Ou seja, os recursos são recolhidos e vão para o Tesouro, que então transfere a parte da Anatel. Com ou sem recolhimento, é mantida a dotação orçamentária e a obrigação de o Tesouro destinar os recursos”, explica.

O processo corre no Tribunal Regional Federal do Distrito Federal (TRF1). O mérito da questão foi votado por dois desembargadores, de uma turma de três. No entanto, eles divergiram, o que, pelo regimento, resulta em convocação para mais dois desembargadores votarem sobre o assunto em quinteto. Tal votação não tem previsão para acontecer.

Baigorri diz que, se existe uma preocupação na agência, é a capacidade de as operadoras pagarem o Fistel caso derrotadas na Justiça. “Os recursos não estão sendo depositados em juízo, então as empresas estão criando uma dívida”, afirmou.

Compartilhe

TelComp desiste de ação contra leilão de 700 MHz
TelComp desiste de ação contra leilão de 700 MHz
Vivo Anti-Spam leva operadoras à Anatel e abre disputa sobre bloqueio de chamadas
Vivo Anti-Spam leva operadoras à Anatel e abre disputa sobre bloqueio de chamadas
Proposta que blinda orçamento de agências avança no Senado
Proposta que blinda orçamento de agências avança no Senado
Brasil autentica menos de 20% das chamadas telefônicas, diz ABR Telecom
Brasil autentica menos de 20% das chamadas telefônicas, diz ABR Telecom
Vivo investe R$ 192 milhões e implantará 411 sites 4G e 5G em 74 municípios do Paraná
Minas Gerais ganha Centro de Computação de Alto Desempenho com investimentos de R$ 1,5 milhão
Para não ficar para trás na corrida de IA, SpaceX compra startup por US$ 60 bilhões
Gilat compra divisão de comunicação por satélite da Comtech
Gilat compra divisão de comunicação por satélite da Comtech
Quase 100 mil empresas brasileiras fizeram uso de alguma Inteligência artificial
Pouco mais de 36% das empresas brasileiras pagam para ter serviços de nuvem