Caixa da Oi cai para R$ 19,6 milhões. Empresa diz à Justiça que pode parar em 1º de agosto.

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A Oi informou ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) que sua situação financeira se deteriorou mais rapidamente do que o previsto e que a continuidade operacional do grupo poderá se tornar inviável a partir de 1º de agosto de 2026. A atualização foi apresentada nesta quinta-feira, 9, pela gestão judicial da companhia nos agravos de instrumento que discutem a decisão que converteu a recuperação judicial em falência, atualmente suspensa por decisão liminar.

Em fato relevante divulgado ao mercado, a empresa informou que o gestor judicial protocolou novas manifestações no processo após o julgamento dos recursos ter sido interrompido por pedido de vista. Segundo a companhia, os documentos apresentam informações econômico-financeiras atualizadas que apontam um agravamento da insolvência do grupo.

De acordo com a nova projeção, a disponibilidade de caixa estimada para o fim de julho caiu de R$ 88,1 milhões para R$ 19,6 milhões, valor que, segundo a gestão judicial, “poderá tornar a operação insustentável do ponto de vista de sua continuidade operacional a partir de 1º de agosto de 2026”.

Cenário se deteriorou antes do previsto

Nas petições encaminhadas ao TJ-RJ, a gestão judicial afirma que a revisão das projeções antecipou em cerca de dois meses o cenário crítico anteriormente esperado para setembro.

O documento afirma que “a confluência destes e outros fatores externos exigiram a atualização do Fluxo de Caixa Projetado (…) acabando por antecipar o cenário de grave comprometimento da capacidade de pagamentos das despesas essenciais, antes previsto de acontecer em setembro de 2026”.

Ainda segundo a manifestação, “dentro deste novo cenário fático e contemporâneo com a realidade atual do Grupo OI, a Disponibilidade de Caixa para o final do mês de julho de 2026, que era de R$ 88,1 milhões, se reduz para R$ 19,6 milhões no novo cenário projetado, o que torna a operação insustentável do ponto de vista de sua continuidade operacional a partir de 01/08/2026”.

Gestão aponta perda de receitas e atrasos em operações

A gestão judicial atribui o agravamento da situação a dois fatores principais.

O primeiro é o aumento da desconfiança do mercado em relação à solvência da companhia. Segundo a petição, a “crescente desconfiança do mercado em relação [ao] status de solvabilidade do Grupo OI impede a adoção de medidas que resultem no ingresso de receitas operacionais ordinárias”, além de provocar migração de clientes para outras operadoras.

O segundo fator apontado é a frustração das receitas extraordinárias previstas no fluxo de caixa elaborado em abril deste ano. A gestão afirma que eventos processuais “imprevisíveis e alheios à gestão da Companhia” reduziram a expectativa de ingresso de recursos, citando entre eles a necessidade de manutenção da liminar que suspende a falência até o julgamento dos recursos, os efeitos suspensivos relacionados à alienação da UPI V.tal, a não conclusão da venda da UPI Serviços Telefônicos e o resultado negativo da primeira tentativa de alienação da UPI Oi Soluções.

Julgamento permanece suspenso

As novas informações foram apresentadas nos dois agravos de instrumento movidos por Itaú Unibanco e Banco Bradesco contra a decisão da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro que converteu a recuperação judicial da Oi em falência com continuidade provisória das atividades.

O julgamento dos recursos foi interrompido em 30 de junho após pedido de vista do desembargador Augusto Alves Moreira Júnior, como noticiado pelo Tele.Síntese. Diante da atualização dos dados financeiros, a gestão judicial pediu que o Tribunal considere o novo cenário econômico da companhia ao apreciar os recursos.

Efeitos colaterais

Um dos temores envolvendo a falência da Oi diz respeito à continuidade de serviços essenciais em localidades e para órgãos públicas. A Oi é ainda responsável por grande parte dos contratos de tridígito (190, 192 etc) utilizados para acionar Bombeiros, Polícia, Samu ou Defesa Civil, por exemplo, em vários municípios e estados do país. Outra dúvida paira sobre a continuidade da prestação de serviços contratados pela Justiça Eleitoral, que depende da rede para transmitir os dados dos eleitores e apurar, assim, o resultado das urnas. Conforme apurou este noticiário, a empresa atende o TSE em seis estados, além dos TREs de Rio de Janeiro, Bahia e Mato Grosso. Há inclusive petição no processo de recuperação da companhia questionando como ficarão esses contratos no período eleitoral – caso a Oi Soluções fosse vendida, o que não se concretizou até o momento.

Em Brasília, a Anatel vem trabalhando em alternativas. A Oi levantou, judicialmente, R$ 540 milhões que estavam em conta garantia para manutenção do serviço até 2028 pela agência, caso o pior cenário se concretizasse. Sem estes valores, a agência tratou de buscar recursos adicionais, que encontrou entre garantias de multas devidas pela tele. Hoje mesmo, o Conselho Diretor da Agência concordou que consegue levantar pouco menos de R$ 136 milhões dessas garantias por multas, o suficiente para manter serviços essenciais onde só existe a Oi como operadora até 2028.

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