Federações sindicais pedem intervenção do governo para proteger trabalhadores da Oi e da Serede

Três federações que representam trabalhadores do setor de telecomunicações encaminharam, nessa quarta-feira, 8, uma carta aberta ao governo federal pedindo atuação coordenada para enfrentar a crise do Grupo Oi. O documento, enviado aos ministérios das Comunicações, Trabalho e Emprego, Casa Civil, Secretaria de Comunicação Social, Secretaria de Governo, à Anatel e à Advocacia-Geral da União (AGU), solicita medidas para preservar direitos trabalhistas, evitar a deterioração do patrimônio da companhia e garantir a continuidade de serviços considerados essenciais.

Protesto de ex-trabalhadores da Serede em frente ao TJ-RJ (8 de julho de 2025, arquivo pessoal) MP Oi verbas rescisórias
Protesto de ex-trabalhadores da Serede em frente ao TJ-RJ (8 de julho de 2025, arquivo pessoal)

Assinam a carta a FENATTEL, a FITRATELP e a FITT Livre, que afirmam representar 28 sindicatos e mais de 1,5 milhão de trabalhadores do setor de telecomunicações. As entidades manifestam preocupação com a situação da Oi e das empresas do grupo — Oi S.A., Serede, Tahto e Oi Service — diante da incerteza provocada pelo processo judicial envolvendo a operadora.

Segundo as federações, embora a decisão que converteu a recuperação judicial da Oi em falência tenha sido suspensa por liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), o julgamento permanece pendente em razão de pedido de vista, o que, na avaliação das entidades, mantém um cenário de insegurança jurídica para trabalhadores e operações da empresa.

Serede concentra principal preocupação

O principal foco da carta é a situação dos trabalhadores da Serede. As entidades afirmam que cerca de 5 mil empregados permanecem sem receber verbas rescisórias e defendem que a empresa deixe de ser tratada de forma separada da Oi nas discussões judiciais.

Segundo o documento, a adoção de administrações judiciais distintas para empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico teria provocado fragmentação dos processos e tratamento desigual dos trabalhadores. Como exemplo, as federações apontam diferenças nos procedimentos adotados para habilitação de créditos trabalhistas, afirmando que, enquanto a recuperação judicial da Oi utiliza plataforma eletrônica específica, os trabalhadores da Serede dependeriam de comunicações por correio eletrônico, sem mecanismos equivalentes de rastreabilidade e auditoria.

Diante desse cenário, as entidades defendem que qualquer solução para o Grupo Oi reconheça a unidade econômica do conglomerado, permitindo tratamento uniforme aos empregados das diferentes empresas.

Sete pedidos ao governo

Na carta, as federações apresentam sete medidas consideradas prioritárias:

  1. reconhecimento da unidade econômica do Grupo Oi para fins de proteção trabalhista;
  2. retomada das operações e fim da “ociosidade imposta” aos trabalhadores;
  3. garantia integral dos direitos trabalhistas e pagamento das verbas rescisórias;
  4. adoção de procedimentos transparentes e padronizados para habilitação e pagamento de créditos;
  5. preservação do patrimônio remanescente da companhia;
  6. eventual processo de falência conduzido de forma ordenada, respeitando a prioridade legal dos créditos trabalhistas; e
  7. atuação para evitar interrupções de serviços considerados essenciais.

Alerta para impacto sobre serviços públicos

As federações afirmam que eventual descontinuidade das operações da Oi poderá afetar serviços públicos e de interesse social.

Segundo a carta, a operadora permanece responsável pela conectividade em milhares de localidades e presta serviços utilizados por agências lotéricas, Correios, unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) e sistemas de atendimento de emergência, como os números 190, 192 e 193. O documento sustenta que um eventual colapso operacional poderia comprometer esses serviços.

Pedido de mediação institucional

Ao final da carta, as entidades conclamam os ministérios envolvidos, a Anatel e a AGU a atuarem como mediadores da crise, afirmando que a dimensão do problema exige atuação coordenada entre governo, Judiciário e demais instituições para assegurar a proteção dos trabalhadores, independentemente da empresa do grupo à qual estejam vinculados.

O post Federações sindicais pedem intervenção do governo para proteger trabalhadores da Oi e da Serede apareceu primeiro em TeleSíntese.

Tags

Compartilhe

Ceará envia projeto para criar marco ambiental para data centers
Ceará envia projeto para criar marco ambiental para data centers
Federações sindicais pedem intervenção do governo para proteger trabalhadores da Oi e da Serede
Federações sindicais pedem intervenção do governo para proteger trabalhadores da Oi e da Serede
Correios suspendem temporariamente medidas do plano de reestruturação
Correios suspendem temporariamente medidas do plano de reestruturação
Banco do Brasil testa plataforma conversacional baseada em Inteligência Artificial
Justiça intima ANPD e MEC a se manifestarem sobre reconhecimento facial nas escolas do Paraná
Brasil TecPar prepara unificação de marcas e mira 1,8 milhão de clientes com expansão da infraestrutura
Brasil TecPar prepara unificação de marcas e mira 1,8 milhão de clientes com expansão da infraestrutura
Trabalhadores do Grupo Oi advertem para colapso de serviços; alertam para o abandono dos funcionários e pedem a intervenção do Governo
Oi avisa que pode parar no dia 01 de agosto e coloca em risco serviços públicos obrigatórios
Oi pode parar de funcionar em agosto, alerta administração da empresa
Oi pode parar de funcionar em agosto, alerta administração da empresa
Fitch eleva rating da QMC Telecom e vê crescimento do mercado de torres
Fitch eleva rating da QMC Telecom e vê crescimento do mercado de torres