Cade implanta o DEIA, inteligência artificial na análise de processos concorrenciais

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica deu início à implementação do projeto Defesa Econômica com Inteligência Artificial, iniciativa com impacto direto na forma como a autarquia analisa atos de concentração e investiga condutas anticompetitivas no país. Batizado de DEIA, o projeto prevê a incorporação de soluções de inteligência artificial nos fluxos de trabalho do órgão, com o objetivo de aumentar a eficiência e a capacidade analítica da instituição.

A iniciativa prevê o desenvolvimento de um conjunto de ferramentas tecnológicas capazes de auxiliar atividades rotineiras, mas complexas, como a triagem de processos, a análise de documentos, a identificação de padrões em grandes volumes de dados e o suporte à instrução de investigações. Um dos focos centrais do projeto é a criação de modelos de IA especificamente treinados para as demandas típicas do Cade, como a análise de fusões e aquisições (atos de concentração) e a detecção de possíveis indícios de cartéis e outras violações à ordem econômica.

Entre as frentes de atuação da DEIA está a integração de funcionalidades inteligentes ao Sistema Eletrônico de Informações (SEI), a plataforma oficial de gestão de documentos e processos administrativos do órgão. A proposta inclui o desenvolvimento de recursos como a classificação automática de documentos, a geração de sugestões de minutas, a extração e sumarização automática de conteúdos e ferramentas de análise preditiva para estimar prazos e riscos processuais.

A tecnologia permitirá, por exemplo, que os servidores tenham acesso rápido a informações relevantes compiladas por algoritmos, agilizando a instrução de processos sem perder o rigor técnico. A expectativa é que a ferramenta reduza o tempo gasto em tarefas burocráticas e libere os analistas para se concentrarem em questões mais complexas e estratégicas.

A diretora da Diretoria de Administração e Planejamento (DAP) do Cade, Bruna Cardoso, destacou que a modernização não representa uma substituição do trabalho humano, mas sim um reforço à atuação dos servidores. “A inteligência artificial não substitui o trabalho técnico realizado pelos servidores, mas pode ser uma aliada importante para ampliar nossa capacidade analítica e otimizar rotinas. A ideia é utilizar a tecnologia de forma estratégica, sempre com supervisão humana e alinhada aos princípios de transparência e responsabilidade no serviço público”, afirmou a diretora.

Além do desenvolvimento tecnológico, o projeto DEIA também prevê um amplo programa de capacitação voltado a servidores e colaboradores. O objetivo é preparar o quadro técnico para o uso responsável e eficiente das novas ferramentas, além de disseminar conhecimento sobre as aplicações de IA no contexto específico da defesa da concorrência. A iniciativa também considera aspectos críticos como governança de dados e segurança da informação, garantindo que a adoção da tecnologia seja feita com responsabilidade e em conformidade com as normas do serviço público.

A DEIA integra o Plano de Transformação Digital do Cade e conta com recursos do Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD). O projeto tem duração prevista até dezembro de 2026, período no qual as soluções serão desenvolvidas, testadas e gradualmente incorporadas às rotinas da autarquia.

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