Amazon compra Globalstar por US$ 11,57 bilhões e faz parceria com Apple para brigar com Starlink

A Amazon confirmou nesta terça, 14/4, que firmou um acordo definitivo para a aquisição da Globalstar, que também divulgou comunicado. A operação permitirá à iniciativa de órbita baixa da empresa, o Amazon Leo, incorporar serviços diretos para dispositivos (direct-to-device, ou D2D), expandindo a cobertura móvel para áreas sem alcance de redes celulares terrestres. O acordo envolve US$11,57 bilhões.

O anúncio inclui ainda uma parceria com a Apple para que o sistema Amazon Leo passe a fornecer conectividade via satélite a modelos atuais e futuros de iPhone e Apple Watch. A integração permitirá funcionalidades como envio de mensagens de emergência, comunicação com contatos, solicitação de assistência em estradas e compartilhamento de localização, mesmo fora da cobertura tradicional.

Com a aquisição, a Amazon passa a incorporar a infraestrutura, cerca de 30 satélites e, principalmente, o espectro de radiofrequência da Globalstar, que possui autorizações globais para serviços móveis via satélite. A combinação desses ativos com a constelação do Amazon Leo deve viabilizar uma rede integrada capaz de oferecer conectividade contínua para consumidores, empresas e governos, incluindo em regiões remotas ou de difícil acesso.

A banda larga via satélite está em expansão, especialmente em locais de difícil acesso, mas a Amazon está ficando para trás na meta de ampliar a cobertura com mais de 7.700 satélites, no que antes era o projeto Kuiper, renomeado para Amazon Leo. A empresa tem cerca de 180 satélites em órbita e pediu à Federal Communications Commission, a Anatel dos EUA, uma dispensa ou prorrogação do prazo para ter 1.600 satélites em órbita até julho.

Segundo os comunicados desta terça, os sistemas atuais e futuras gerações de satélites da Globalstar devem operar em conjunto com a rede da Amazon, ampliando capacidade e cobertura. O plano da Amazon prevê o lançamento de um sistema próprio de comunicação direta com dispositivos a partir de 2028. A nova geração deve oferecer suporte a voz, dados e mensagens com maior eficiência espectral em comparação com soluções atuais, resultando em maior velocidade e desempenho.

O sistema será integrado às primeiras gerações do Amazon Leo, formando uma rede híbrida que combina serviços fixos e móveis via satélite. A expectativa é que a constelação completa conte com milhares de satélites em órbita baixa, com capacidade para atender centenas de milhões de dispositivos no mundo.

Atualmente, a Apple já utiliza a infraestrutura da Globalstar para oferecer recursos como o “Emergency SOS via satélite” em dispositivos lançados a partir do iPhone 14. Com o novo acordo, a Amazon assume esse suporte e passa a colaborar no desenvolvimento de futuras funcionalidades.

A operação reforça a competição no mercado global de satélites de órbita baixa, que vem se consolidando como alternativa para ampliar a conectividade em escala global. A conectividade direta com dispositivos é apontada como solução para aumentar a resiliência das comunicações. E o modelo também abre espaço para aplicações em logística, internet das coisas (IoT), operações governamentais e conectividade rural.

Pelos termos do acordo, acionistas da Globalstar poderão optar por receber US$ 90 por ação em dinheiro ou ações da Amazon, com mecanismos de ajuste e limitação de pagamento em caixa. A transação já conta com aprovação de acionistas que representam cerca de 58% do poder de voto da empresa e deve ser concluída em 2027, sujeita a aprovações regulatórias e metas operacionais.

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