Agenda da Abramulti foca postes, antidumping, 6 GHz e Norma 4

A Abramulti, associação que reúne provedores regionais de internet, aproveitou seu evento na última semana em Belho Horizonte (MG) para reforçar as pautas que considera prioritárias para o mercado de banda larga fixa, com destaque para o debate sobre compartilhamento de postes, a discussão sobre antidumping, a defesa da faixa completa de 1.200 MHz para Wi-Fi e a preocupação com a revogação da Norma 4.

Em entrevista ao Tele.Síntese durante o evento, Jony Cruz, vice-presidente da entidade, e Robson Lima, presidente, afirmaram que esses temas seguem no centro da atuação institucional da associação, em articulação com outras entidades do setor.

Postes seguem no topo da agenda

Jony Cruz afirmou que o tema dos postes continua entre os mais sensíveis para os provedores. Segundo ele, ao fim do ano passado houve um movimento inédito de união entre associações para formular uma proposta conjunta voltada à solução do problema.

Ele disse que o impasse em torno dos postes permanece como um dos principais entraves para o setor.

Outro ponto destacado por Jony foi a discussão sobre antidumping. Segundo ele, a associação não se coloca contra a indústria nacional, mas sustenta que qualquer medida com potencial de alterar o funcionamento do mercado precisa considerar a capacidade efetiva de atendimento da demanda. Na entrevista, afirmou que a indústria local não conseguiria suprir 20% da demanda por cabos.

A defesa da Abramulti, de acordo com o dirigente, é que esse tipo de medida seja precedido de análise mais ampla sobre seus efeitos para a cadeia de provedores e para a oferta de infraestrutura.

Faixa de 6 GHz e Norma 4 entram entre prioridades

Jony também voltou a defender a liberação da faixa completa de 1.200 MHz, tema recorrente entre associações que representam provedores e fabricantes ligados ao ecossistema Wi-Fi. Segundo ele, a tecnologia tem papel fundamental no offload de dados, por isso a posição brasileira de dividir a faixa com o serviço móvel celular deveria ser revista.

No mesmo contexto, o vice-presidente da Abramulti citou a Norma 4 como outro tema sensível. Segundo ele, o assunto precisa ser enfrentado antes que produza efeitos mais amplos sobre o setor.

Margem pressionada e defesa de equilíbrio regulatório

Ao resumir a visão da entidade sobre o cenário atual, Jony disse que o setor enfrenta pressões recorrentes sobre sua margem em um ambiente em que os preços dos serviços permanecem comprimidos. Ele citou em seu discurso de abertura a referência ao valor de R$ 99, apontado como patamar que acompanharia o setor há cerca de uma década, enquanto impostos e obrigações aumentam.

Na entrevista, ele afirmou ainda que a associação não defende irregularidade ou clandestinidade, mas cobra “justiça” na forma como regras e exigências são aplicadas aos provedores.

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