Telebras vai dobrar serviços digitais em 2026 e acelerar o fim dos subsídios do governo

A Telebras aposta na ampliação da oferta de serviços digitais como eixo central de sua estratégia para reduzir a dependência de recursos públicos e alcançar autonomia financeira. Segundo o presidente da estatal, Hermano Albuquerque, a expectativa é que a participação dessas soluções mais que dobre em 2026, consolidando a transição da companhia para além da conectividade.

De acordo com o executivo, a empresa passa por um processo gradual de transformação. Historicamente voltada à oferta de infraestrutura de telecomunicações, a Telebras começa a se posicionar como provedora de soluções digitais, combinando conectividade com serviços de valor agregado. “Esse é o grande momento de transformação da Telebras, que abre novas oportunidades para a empresa”, afirmou.

A estratégia envolve a formação de parcerias com empresas especializadas. Nos últimos meses, a estatal lançou editais para credenciar fornecedores de serviços de valor adicionado, que passam a integrar o portfólio da companhia. A partir desse modelo, a Telebras empacota soluções digitais com sua rede de conectividade para oferecer novos produtos ao mercado.

O portfólio inclui ferramentas de compressão de dados, business intelligence, computação em nuvem, nuvem privada, voz sobre IP, criptografia, além de serviços como backup e infraestrutura como serviço. Segundo Albuquerque, esse conjunto amplia as possibilidades comerciais da empresa e fortalece sua atuação junto a clientes públicos.

O data center da Telebras aparece como peça central dessa estratégia. A companhia trabalha, em conjunto com o Ministério das Comunicações, para ampliar a oferta de serviços hospedados em sua infraestrutura, com o objetivo de aumentar a monetização. “O data center é fundamental para que a Telebras deixe de ser apenas uma empresa de conectividade e passe a ser uma empresa de soluções digitais”, disse.

Apesar dos avanços, o executivo reconhece que a empresa ainda depende parcialmente de recursos públicos. Em 2025, a Telebras registrou lucro líquido de R$ 140 milhões, resultado considerado relevante, mas ainda influenciado por subsídios e contratos com o governo federal. Segundo ele, o desempenho indica um caminho sustentável, embora a autossuficiência ainda exija evolução.

Os indicadores operacionais, no entanto, mostram melhora. A receita da empresa cresceu cerca de 20% em 2025, enquanto as despesas avançaram entre 7% e 8%, ampliando margens e rentabilidade. “A receita está crescendo muito mais do que a despesa, o que significa que as margens estão melhorando”, afirmou.

Atualmente, os serviços digitais ainda representam uma fatia limitada do faturamento. Em 2025, ficaram pouco acima de 5% da receita total, que foi de R$ 540 milhões. Mesmo assim, Albuquerque destaca que o avanço é expressivo, considerando que a oferta desses serviços começou no próprio ano passado.

Para 2026, a expectativa é que essa participação alcance entre 10% e 15% da receita, o que representa mais que o dobro do patamar inicial. Segundo o presidente, a projeção é sustentada por contratos já em negociação com órgãos federais e governos estaduais, além de um pipeline considerado robusto.

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