TCU cobra plano do MEC contra dependência da AWS

O Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou ao Ministério da Educação (MEC) a adoção de um plano para mitigar a dependência tecnológica da Amazon Web Services (AWS) no Sistema Gestão Presente (SGP), plataforma criada para integrar dados da educação básica e apoiar políticas públicas baseadas em informações escolares. A decisão foi formalizada no Acórdão 949/2026, aprovado pelo plenário ontem, 15 de abril.

Foto: TCU/Divulgação

O SGP é uma plataforma nacional de dados da educação básica, com a função de centralizar, padronizar e integrar informações de cerca de 47,3 milhões de estudantes. Segundo o relatório, a ferramenta já sustenta a operação do programa Pé-de-Meia, embora a fiscalização não tenha avaliado o programa em si, mas a arquitetura tecnológica, a governança de dados, a gestão de riscos e a sustentabilidade do sistema.

Dependência tecnológica

O TCU apontou que a arquitetura atual do SGP está fortemente apoiada em serviços gerenciados da gigante AWS. Na avaliação técnica, os maiores pontos de dependência estão no banco de dados Aurora e na camada de rede e execução baseada em VPC, ALB e EKS. O relatório registra que a adoção de serviços nativos sem análise robusta de alternativas e de custo total de propriedade pode restringir a portabilidade tecnológica e elevar progressivamente os custos operacionais.

Por isso, o tribunal recomendou que o MEC inclua, no plano de portabilidade tecnológica, uma seção específica para os componentes com maior dependência, com análise de viabilidade de migração, custos de saída, riscos de continuidade e cronograma de mitigação.

O documento informa que o ministério já previu estudos de custo total de propriedade, modularização de componentes, redução do uso de serviços proprietários e elaboração de plano de portabilidade, com prazo até junho de 2026.

Dataprev sob escrutínio

Outro eixo do acompanhamento trata do Contrato 16/2025, firmado entre o MEC e a Dataprev, com valor global estimado em R$ 750 milhões por 60 meses, prorrogável até dez anos. O modelo foi celebrado com dispensa de licitação e prevê consumo sob demanda por propostas de atendimento e ordens de serviço.

A unidade técnica do TCU apontou fragilidades na pesquisa de preços, ausência de comparação estruturada de custo total de propriedade com alternativas de mercado e falta de mecanismos públicos e objetivos de aferição de desempenho contratual, como níveis de serviço, indicadores, critérios formais de aceite e vínculo claro entre pagamento e entrega.

Também foram registradas dúvidas sobre a evolução dos custos de nuvem na transição da gestão do ambiente da Universidade Federal de Alagoas para a Dataprev. O relatório menciona aumento expressivo nas cobranças da AWS entre abril e julho de 2025, sem justificativa técnica detalhada suficiente nos autos analisados.

No voto, porém, o relator Antonio Anastasia divergiu da proposta de dar ciência formal ao MEC sobre a contratação da Dataprev sem análise de vantajosidade comparada com o mercado privado. Para ele, dada a natureza da plataforma e seu caráter de política pública, é adequado o desenvolvimento por empresa pública. Ainda assim, o ministro considerou pertinentes os apontamentos sobre a necessidade de aprimorar a aferição do desempenho contratual.

Governança e qualidade dos dados

Além da questão tecnológica e contratual, o TCU identificou problemas na validação cadastral, na rastreabilidade das informações e na governança federativa do SGP. O sistema ainda admite envio de dados por planilhas ou por API, com armazenamento intermediário em ambiente AWS/S3, o que, segundo a corte, compromete a rastreabilidade e dificulta validações em tempo real.

Entre as recomendações aprovadas estão a ampliação dos cruzamentos com outras bases de dados, a implementação de regras automatizadas de validação para campos críticos, a criação de metas e indicadores de adesão e qualidade dos dados e a disponibilização de ferramentas automatizadas de monitoramento para os entes federados.

Na conclusão, o TCU afirma que o SGP é uma iniciativa estratégica para a formulação de políticas públicas baseadas em dados, mas ainda apresenta fragilidades relevantes em arquitetura tecnológica, governança federativa e gestão contratual. O tribunal vai monitorar a efetivação das recomendações.

O post TCU cobra plano do MEC contra dependência da AWS apareceu primeiro em TeleSíntese.

Tags

Compartilhe

Brasscom elege conselho de administração para biênio 2026-2028
Brasscom elege conselho de administração para biênio 2026-2028
Toffoli defende responsabilizar marketplaces por produtos de terceiros
Toffoli defende responsabilizar marketplaces por produtos de terceiros
Parte dos acionistas da Oi rejeitam contas e grupamento de ações
Parte dos acionistas da Oi rejeitam contas e grupamento de ações
STF: Toffoli defende responsabilizar marketplaces e flexibiliza exigência de sede para big techs no país
No STF, Toffoli aponta ajustes em decisão sobre Marco Civil da Internet
No STF, Toffoli aponta ajustes em decisão sobre Marco Civil da Internet
Estudantes brasileiros vencem competição de TIC da Huawei
Estudantes brasileiros vencem competição de TIC da Huawei
Infraestrutura é entrave para veículo inteligente no Brasil, afirma Anfavea
Infraestrutura é entrave para veículo inteligente no Brasil, afirma Anfavea
Metade dos americanos teme o desemprego com a IA. Anthropic manda estados modernizarem tecnologia para rescisões
Laércio Cosentino é reconduzido à presidência do Conselho da Brasscom para o biênio 2026-2028
Laércio Cosentino é reconduzido à presidência do Conselho da Brasscom para o biênio 2026-2028
ANPD inicia fiscalização de Apple, Google e Microsoft sobre mecanismos de verificação de idade