
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a aquisição da Um Telecom, da 1Telecom e da Atlantic Data Center pela V.tal. A decisão foi formalizada no Despacho SG nº 604, publicado nesta terça-feira, 13, no Diário Oficial da União.
A operação envolve a compra da totalidade das quotas das três empresas pela V.tal, controlada por fundos geridos pelo BTG Pactual. O Cade concluiu que a transação não eleva a probabilidade de exercício de poder de mercado nos segmentos analisados, incluindo banda larga fixa, oferta atacadista de infraestrutura de telecomunicações e serviços de data center.
A aprovação encerra a análise concorrencial do negócio, que já havia recebido anuência prévia da Anatel em fevereiro deste ano.
A operação foi anunciada no fim de 2025. Segundo documentos enviados ao Cade, a transação adiciona à V.tal mais de 20 mil quilômetros de rede de fibra óptica, presença em todas as capitais nordestinas e atuação em mais de 200 municípios.
Infraestrutura e data centers
No parecer, o Cade destacou que a V.tal atua principalmente no mercado de infraestrutura neutra de atacado, compartilhando redes de fibra óptica com operadoras e provedores. A empresa também opera no segmento de data centers por meio da Tecto Data Centers e no varejo de banda larga com a marca Nio.
Já a Um Telecom e a 1Telecom atuam em SCM, conectividade corporativa, redes privativas, cloud, segurança e aluguel de infraestrutura, observa o Cade. A Atlantic Data Center, por sua vez, foi descrita pelo Cade como uma empresa ainda em fase pré-operacional, responsável pela implementação de um data center em Recife (PE).
O órgão antitruste avaliou que as sobreposições horizontais entre as empresas são limitadas. Em praticamente todos os mercados analisados, a participação conjunta ficou abaixo de 20%, patamar utilizado pelo Cade como referência para afastar preocupações concorrenciais iniciais.
No segmento de infraestrutura de telecomunicações, o parecer aponta que a V.tal detém aproximadamente 19,2% da extensão nacional estimada de redes, enquanto a participação da 1Telecom foi considerada residual, em torno de 0,4%. O Cade ressaltou ainda a presença de concorrentes relevantes como Claro (9% das redes nacionais), Brisanet (8,7%), TecPar (7,8%), Alloha (6,4%), Algar (5,8%), Vivo (4,9%) e TIM (4,8%).
Caso específico em Pernambuco
O único mercado em que houve aprofundamento da análise concorrencial foi o município de Calumbi (PE), onde a participação conjunta das empresas na banda larga fixa alcançou 38,6%, com variação de concentração acima do parâmetro de referência do Cade.
Mesmo assim, a Superintendência-Geral concluiu que não haveria risco concorrencial relevante, devido ao pequeno número de acessos existentes no município — menos de 50 conexões ao longo dos últimos anos — e à presença de outros competidores e redes de backhaul disponíveis, incluindo TIM e Telefônica.
O Cade também analisou possíveis integrações verticais entre a infraestrutura de rede das empresas e os mercados de banda larga fixa e data centers. Segundo o parecer, não foram identificados incentivos ou capacidade para fechamento de mercado após a operação.
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