reoneracao-da-folha:-em-manifesto,-setores-pedem-projeto-de-lei

Reoneração da folha: Em manifesto, setores pedem projeto de lei

Setores desonerados apresentam documento contra proposta de reoneração da folha em Medida Provisória | Foto: Pedro França/Agência Senado

O movimento de entidades que defendem a manutenção da desoneração da folha de pagamento, Desonera Brasil, foi ao Congresso Nacional nesta quarta-feira, 21, reforçar o posicionamento contra a sugestão de reoneração apresentada pelo governo federal na Medida Provisória (MP) 1202/2023. O grupo pede que o tema seja discutido em um projeto de lei, para que sejam ouvidos na formulação do texto. 

Após o Congresso Nacional derrubar o veto à prorrogação da desoneração, no final do ano passado, a equipe econômica do governo propôs uma reoneração gradual a partir de abril, por meio da MP, que também trata de outros temas econômicos. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) afirmaram em janeiro que havia um acordo para que a reoneração fosse excluída da matéria, sendo apresentada por algum outro instrumento que permita maior debate, ainda a ser definido, o que ainda não ocorreu.

Nesta terça-feira, 20, representantes do governo federal saíram de uma reunião com lideranças parlamentares sem resposta para o impasse. 

(Atualização) Ainda nesta quarta-feira, 21,  Pacheco afirmou em coletiva de imprensa no Senado que o governo confirmou a intenção de apresentar um projeto de lei sobre a reoneração com prazo para discussão, durante reunião com ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e lideranças parlamentares.

No entanto, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (AP), apresentou ressalvas.  “Ainda é necessário ouvir o presidente da República. Adianto que a posição do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, será considerada na solução disso”.

Desoneração e alternativa

A desoneração da folha de pagamento, em vigor desde 2011, permite que as empresas recolham de 1% a 4,5% sobre a receita bruta em vez de 20% sobre o salário dos empregados. O benefício vem sendo prorrogado consecutivamente e seria extinto a partir de 2024, mas foi renovado até 2027 pelo Congresso Nacional a contragosto do governo.

A MP 1202/2023 propõe uma reoneração parcial e gradual, limitada a um salário mínimo por trabalhador. Os grupos são divididos não mais em setores, mas por atividades econômicas, em dois tipos de regime.

Um dos regimes prevê alíquotas de: 15% em 2024; 16,25% em 2025; 17,5% em 2026; e 18,75% em 2027. Dentro do setor de mídia e TICs, ele vale para atividades como as de rádio, TV, desenvolvimento e licenciamento de softwares, além de consultoria e manutenção de TI.

O segundo regime prevê 10% em 2024; 12,5% em 2025; 15% em 2026; e 17,5% em 2027. Este se aplica a atividades como obras para geração e distribuição de energia elétrica e para telecomunicações e edições de livros, jornais e revistas.

O setor de call center, por exemplo, ficou de fora da proposta. A representante do segmento, Vivien Mello Suruagy, presidente da Feninfra (Federação Nacional de Call Center, Instalação e Manutenção de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e de Informática) falou sobre os impactos durante coletiva de imprensa, nesta manhã, na Câmara dos Deputados. 

“Nós estávamos esperando isso [devolução da MP] desde janeiro e até agora não aconteceu. Então, nós estamos em uma situação de insegurança e de desconfiança e esta situação, infelizmente,  nos faz segurar todos os investimentos”, afirmou. 

A presidente da Feninfra voltou a estimar possível demissão em massa caso a proposta do governo seja aprovada.

Manifesto

No manifesto apresentado a parlamentares, o movimento Desonera Brasil afirma que a desoneração gerou 215 mil postos de trabalho. Para o grupo, a insistência do governo “é um desrespeito ao que foi votado por três oportunidades no Congresso Nacional”.

O documento dos setores ressalta que o Legislativo está prestes a discutir a reforma tributária e o tema pode ser discutido nesta fase, com a desoneração valendo enquanto isso. No ano passado, o governo defendia que o assunto fosse endereçado no novo regime tributário, mas com o fim do benefício a partir deste ano. 

“[…] solicitamos que a parte que trata de Desoneração da Folha de Pagamentos na MP 1202/2023 seja retirada, e que o encaminhamento seja feito por um projeto de lei, conforme imposição da Emenda Constitucional nº 132/2023 cuja previsão estabelece que a regulamentação dos aspectos tributários sobre trabalho e renda deverão ser apreciados pelo  Congresso Nacional, complementando a Reforma Tributária sobre o consumo”, conclui o movimento Desonera Brasil em manifesto.

Acesse a íntegra do manifesto neste link.

Renúncias esvaziam Conselho Fiscal da Oi, que convocará nova assembleia
Renúncias esvaziam Conselho Fiscal da Oi, que convocará nova assembleia
Fust, zero rating do Gov
Fust, zero rating do Gov.br e postes: a semana no Congresso
SpaceX, dona da Starlink, critica proposta de espectro da UE
SpaceX, dona da Starlink, critica proposta de espectro da UE
Bets: Anatel bloqueou 50 mil sites de apostas ilegais
Apple abre ecossistema móvel no Brasil após acordo com Cade
Apple abre ecossistema móvel no Brasil após acordo com Cade
ECA Digital: ANPD monitora 18 sites com conteúdo pornográfico
ANPD inicia fiscalização de verificação de idade em 18 sites adultos
ANPD inicia fiscalização de verificação de idade em 18 sites adultos
Governança de dados: gargalo é perder informações por troca de gestão política
Governança de dados: gargalo é perder informações por troca de gestão política
Na era dos agentes IA, a governança de dados dá vez a governança de conhecimento
Na era dos agentes IA, a governança de dados dá vez a governança de conhecimento
SC: programa de conectividade rural e em rodovias é aprovado
SC: programa de conectividade rural e em rodovias é aprovado