A segunda etapa da Rede Privativa de Comunicação da Administração Pública Federal deverá utilizar um modelo de operadora móvel virtual com requisitos específicos de segurança para integrar comunicações das forças de segurança pública. A solução foi apresentada como uma S-MVNO, ou Security MVNO, durante o 6º Simpósio TelComp, realizado nesta terça-feira, 11, em Brasília.

A primeira fase do projeto móvel já foi concluída e permitiu a integração de quatro das cinco redes de comunicação de segurança existentes no Distrito Federal. Antes do projeto, redes utilizadas pela Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal, Câmara dos Deputados, Senado Federal e Exército operavam sem integração entre si.
“Das cinco redes existentes do Distrito Federal, quatro delas já estão se falando, ou seja, as forças de segurança estão integradas”, afirmou Geraldo Segatto, COO da EAF.
Segundo ele, a rede restante depende de atualizações técnicas do próprio órgão para ser incorporada.
A integração também permite aproveitar a abrangência nacional da rede do Exército. Na avaliação apresentada no painel, a fragmentação anterior criava dificuldades em operações que exigiam atuação conjunta de diferentes forças de segurança.
Segunda fase terá S-MVNO
A próxima etapa pretende ampliar as capacidades da rede para além dos sistemas legados de radiocomunicação. O projeto foi desenvolvido a partir de estudos realizados nos últimos três a quatro anos, incluindo análise de modelos internacionais adotados nos Estados Unidos, França, Finlândia e Espanha.
A intenção é incorporar transmissão de dados e voz e reduzir as limitações das redes tradicionais usadas pelas forças de segurança.
Segundo a apresentação, a segunda fase já foi desenhada e o plano de negócios está sendo finalizado em conjunto com os ministérios das Comunicações e da Justiça.
A arquitetura deverá utilizar uma S-MVNO, modalidade de operadora móvel virtual voltada às necessidades de segurança.
O projeto foi apresentado no painel como uma iniciativa que integra tecnologias legadas e novas tecnologias de comunicação para segurança pública.
Fibra chega a 26 capitais
A Rede Privativa também possui uma frente fixa, baseada em fibra óptica, destinada ao atendimento de órgãos da Administração Pública Federal.
Segundo a apresentação, os anéis metropolitanos de fibra já foram concluídos em 26 capitais. São Paulo é a exceção, porque a implantação começou posteriormente em razão das dificuldades para construção da infraestrutura na cidade.
A etapa atual envolve a ativação dos pontos e a migração de clientes da Telebras para a nova infraestrutura.
A rede será formada por cabos, equipamentos ópticos e roteadores novos. Entre 70% e 75% dos cabos implantados são subterrâneos, segundo a apresentação, como forma de reduzir a vulnerabilidade física da infraestrutura.
Criptografia de Estado
A rede fixa também receberá uma camada adicional de segurança baseada em criptografia de Estado.
De acordo com a apresentação, algoritmos e chaves criptográficas utilizados nessa camada estarão sob controle do governo brasileiro, seguindo as normas aplicáveis ao uso de criptografia.
A infraestrutura deverá atender órgãos que processam informações sensíveis. Foram mencionados durante o painel INSS, Dataprev e outras instituições federais.
Também haverá redundância de infraestrutura, com utilização de instalações da Telebras em Brasília e estrutura de backup no Rio de Janeiro.
Depois de concluídas, tanto a rede fixa quanto a móvel serão operadas pela Telebras.
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