Rádio 3.0 avança com foco em dados, vídeo e consumo híbrido

O futuro do Rádio 3.0 no Brasil está sendo desenhado a partir de uma mudança de conceito: o meio deixa de ser tratado apenas como transmissão linear associada ao receptor tradicional e passa a ser entendido como um ecossistema híbrido de distribuição de conteúdo, publicidade e dados. Essa foi a principal mensagem apresentada por representantes do segmento durante o SET:30, em Las Vegas, no contexto da NAB Show 2026, no fim de semana.

A avaliação exposta no encontro é que o rádio mantém relevância, mas precisa ser medido e comercializado a partir de uma lógica mais ampla, que considere o consumo em automóveis, assistentes de voz, plataformas digitais e transmissões online. A mudança afeta diretamente a leitura de audiência, o posicionamento comercial das emissoras e as estratégias de monetização.

Presidente executivo da Abert, Cristiano Flôres afirmou que o setor prepara um levantamento de dados para compreender com mais precisão o alcance atual do meio. “A evolução do rádio é sempre natural, pois vai atrás de onde estão as pessoas”, disse. Segundo ele, o mercado está “debruçado em dados fartos para traduzir pro radiodifusor e mercado onde estamos e para onde vamos”.

A mesma linha foi reforçada por Daniel Starck, diretor do tudoradio.com, ao defender que o termo rádio já não descreve sozinho toda a experiência de consumo. “Com este termo ficamos presos a um receptor, mas ele é só uma parte do ecossistema. Hoje, as pessoas entendem o rádio como carro, Alexa e etc, e mensurar isso é um desafio”, afirmou.

Os participantes também destacaram que o consumo digital já alterou a composição da audiência. Segundo os dados citados no debate, “hoje o incremento digital chega a 83%”. A leitura apresentada é que o setor precisa tratar o rádio como um meio híbrido, com presença simultânea no dial e na internet.

Essa transição também alcança a oferta de formatos. “O setor precisa cuidar também do seu streaming, porque não basta ter só um áudio bom, tem que entregar vídeo também”, afirmou Starck. A avaliação apresentada é que a ampliação da presença audiovisual pode ajudar as emissoras a sustentar relevância e criar novas frentes de receita.

Os debatedores mencionaram ainda o papel das montadoras, que vêm embarcando modelos híbridos de rádio em veículos, o que ajuda a manter o hábito de consumo e ampliar a presença do meio em diferentes momentos do dia. Nesse ambiente, o Rádio 3.0 aparece menos como uma mudança isolada de transmissão e mais como uma reorganização do modelo de distribuição e negócios do setor.

TV 3.0 segue como eixo da agenda regulatória

A TV 3.0 também permaneceu no centro das discussões do primeiro dia do encontro. Na abertura do SET:30, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, afirmou que o governo federal está acelerando a transição para a nova televisão digital e preparando o país para o início da implantação em 2026.

Segundo o ministro, a política pública para a DTV+ está organizada em três eixos: previsibilidade regulatória, estímulo a novos modelos de negócio e inclusão digital. “O papel do Estado é garantir um ambiente regulatório estável e previsível, que estimule investimentos e permita o desenvolvimento de novos serviços digitais”, afirmou.

De acordo com sua apresentação, a implantação será escalonada e conduzida pelas emissoras, com início das transmissões comerciais previsto para junho, durante a Copa do Mundo, no Rio de Janeiro e em São Paulo, além da continuidade de projetos-piloto, como a estação experimental de Brasília. O ministro também disse que o governo estuda mecanismos para distribuição de kits à população de baixa renda.

AWS destaca latência e resiliência no streaming esportivo

Na agenda voltada à infraestrutura de mídia, a keynote de Samira Panah Bakhtiar, general manager de mídia, entretenimento, games e esportes da AWS, apontou a próxima Copa do Mundo como um marco para a consolidação de arquiteturas de transmissão baseadas em nuvem.

Segundo a executiva, eventos esportivos ao vivo exigem operação sem falhas, distribuição em múltiplas telas, diferentes idiomas e integração com dados em tempo real. “Vamos começar pelo desafio mais fundamental: a latência”, afirmou.

A apresentação destacou que a combinação entre streaming, nuvem e interatividade amplia a exigência por resiliência operacional e baixa latência. Na leitura da AWS, esse ambiente favorece modelos mais flexíveis de transmissão e pode acelerar o uso de recursos como personalização, múltiplos ângulos de câmera e inserção dinâmica de publicidade. (Com assessoria de imprensa)

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