Com o ReData ainda sem definição, a Terranova Data Centers passou a concentrar parte de sua estratégia de expansão no Brasil em áreas com incentivos já regulamentados. A principal aposta, segundo o CEO José Eduardo Quintella, são as zonas de processamento de exportação, as ZPEs, que hoje oferecem um caminho regulatório mais claro para viabilizar projetos de infraestrutura digital voltados ao processamento e à exportação de dados.
Em entrevista ao TV Síntese Semanal, Quintella afirmou que a indefinição em torno do regime fiscal voltado a data centers não interrompe os investimentos da companhia, mas altera o ritmo de maturação dos projetos. “A velocidade com que esses projetos vão amadurecer vai ser um pouco diferente do que o potencial que ela teria com o novo arcabouço fiscal”, disse.
A Terranova foi criada para atuar em grandes projetos greenfield voltados a clientes hiperescaladores, em uma estratégia complementar à da Nextstream, plataforma também do grupo Actis, mais focada em espaços compartilhados para múltiplos clientes. Na leitura da companhia, o Brasil segue entre os mercados prioritários da América Latina, ao lado de México e Chile, mas o avanço da operação local depende de maior previsibilidade regulatória.
Uberaba entra no radar
Foi nesse contexto que a empresa decidiu desenvolver um projeto em Uberaba, em Minas Gerais. A cidade abriga uma ZPE ativa e, na avaliação da Terranova, reúne condições para receber infraestrutura de grande porte. “A gente decidiu então desenvolver uma das localidades no Brasil que já possui um arcabouço regulatório com benefícios fiscais disponível”, afirmou Quintella.
Segundo o executivo, a companhia protocolou recentemente pedido para acesso a 300 MW de energia na localidade. A estrutura pretendida permitiria algo em torno de 210 MW de TI. O projeto ainda está em fase inicial, mas já representa uma inflexão estratégica da empresa diante da demora na definição do ReData.
Alternativa regulatória já existente
Ao explicar a escolha, o CEO destacou que as ZPEs hoje permitem capturar benefícios fiscais tanto na infraestrutura do data center quanto nos sistemas computacionais importados para operação das cargas. Segundo ele, essa vantagem é central para a análise econômica dos empreendimentos, especialmente em um setor intensivo em capital.
Quintella afirmou ainda que, no caso das ZPEs, o horizonte de isenção fiscal é mais longo do que o previsto originalmente no ReData. “O Redata estava previsto para cinco anos, e a ZPE está prevista para 20”, declarou.
Ele ponderou, porém, que o modelo tem limitações. As ZPEs ativas no país estão restritas a poucas localidades e, por definição, se encaixam melhor em projetos voltados à exportação de dados. Não atendem, portanto à demanda local, que a seu ver tende a crescer muito já no curto prazo.
A companhia mantém outros projetos no país fora de ZPEs, mas avalia que eles avançariam em velocidade maior caso houvesse um tratamento tributário mais amplo e definitivo para o setor.
“Hoje o principal ofensor, na hora que você analisa a viabilidade econômica desses projetos competindo com outros projetos ao redor de todo o restante do mundo, é realmente a carga tributária”, disse.
Na avaliação dele, o país reúne fundamentos técnicos importantes, como oferta de energia e matriz renovável, mas esses atributos não eliminam a necessidade de um ambiente regulatório mais previsível. “O Brasil hoje gera mais energia do que ele consome” e tem “uma matriz muito ligada às fontes renováveis”, afirmou.
A empresa também defende avanços em outras frentes, como segurança jurídica para investimentos associados à inteligência artificial, simplificação de processos burocráticos e maior uniformidade no tratamento local dado a data centers.
Ao menos dois projetos da Terranova aguardam pelo Redata: um na região de Campinas (SP), com 300 MW de capacidade, e outro em Praia Grande (SP), com 450 MW de capacidade energética prevista.
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