Pirataria gera perdas de US$ 12 bilhões na América Latina

Pirataria AMCHAM

A pirataria audiovisual movimenta mais de US$ 12 bilhões por ano na América Latina, considerando TV paga e ambiente online, segundo dados apresentados por Pedro Betancourt, vice-presidente de Assuntos Externos e Regulatórios da Waiken ILW, durante o seminário “Brasil Contra a Pirataria”, realizado pela Amcham nesta última segunda-feira, 1º de junho, em São Paulo.

A holding opera no Brasil os serviços da Sky, Zaaz Telecom e Overlabs. De acordo com o executivo, a pirataria já atinge um em cada três lares conectados na região e opera com escala, tecnologia e estruturas transnacionais.

“O impacto é alarmante: na televisão por assinatura, aproximadamente 14,4 milhões de lares consomem conteúdo ilegal (22,1% do mercado) enquanto no ambiente digital o número chega a 46,3 milhões de lares, o que representa 42,6% dos domicílios com banda larga”, afirmou Betancourt.

Para ele, a pirataria se tornou o principal concorrente da cadeia audiovisual. “Hoje, sem dúvidas, o principal concorrente da cadeia audiovisual é a pirataria. Essa atividade representa uma transferência direta de riqueza da economia formal para um mercado ilegal”, disse.

Pedro Bentancourt AMCHAM
Pedro Bentancourt

Pirataria online concentra perdas

A maior parte do impacto econômico está no ambiente online, segundo os dados apresentados pela Waiken. A pirataria de TV por assinatura desviaria US$ 2,39 bilhões por ano, enquanto a pirataria online responderia por US$ 9,97 bilhões anuais, o equivalente a cerca de 80% do impacto econômico total. A empresa também estima que a atividade ilegal elimine 75 mil empregos formais na região, sendo 28 mil na TV por assinatura e 46 mil no ambiente online.

No impacto fiscal, os governos latino-americanos deixariam de arrecadar cerca de US$ 2,5 bilhões por ano em impostos sobre consumo, segundo os dados apresentados no seminário.

Operação transnacional

Betancourt afirmou que a pirataria audiovisual deixou de ser um problema restrito à distribuição irregular de conteúdo e passou a operar em escala digital e transnacional. As estruturas ilegais utilizam servidores no exterior, plataformas globais e meios de pagamento internacionais. “Esse modelo permite que o consumo ocorra localmente, enquanto a receita é distribuída por redes organizadas em diferentes países”.

A empresa também relaciona o avanço da pirataria a riscos de cibersegurança para os usuários, embora o material não detalhe indicadores específicos sobre incidentes, fraudes ou ataques associados ao uso desses serviços.

Chamado à ação

A Waiken defende uma atuação conjunta entre países, autoridades financeiras, ministérios públicos, órgãos de fiscalização e empresas do setor audiovisual para enfrentar a pirataria. Segundo a empresa, existe a necessidade de atualizações regulatórias para lidar com operações digitais e transnacionais. Para o setor, o avanço do mercado ilegal reduz receitas, afeta a produção de novos conteúdos e compromete investimentos em inovação tecnológica.

 

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