Na corrida pela liderança do espaço, Blue Origin, de Jeff Bezos, perde satélite LEO por falha no lançamento

A estadunidense AST SpaceMobile informou que perdeu o satélite de nova geração BlueBird 7 após uma falha de inserção orbital durante o lançamento realizado no domingo, 19 de abril, a bordo do foguete New Glenn, da Blue Origin.

Segundo a empresa, o satélite foi colocado em uma órbita abaixo do planejado, insuficiente para sustentar suas operações com os propulsores a bordo. Embora o equipamento tenha se separado corretamente do foguete e iniciado suas atividades após o lançamento, a altitude inadequada inviabilizou sua permanência em operação, levando à previsão de reentrada na atmosfera.

O BlueBird 7 integrava a estratégia da AST SpaceMobile de construir uma rede global de conectividade direta entre satélites e dispositivos móveis (direct-to-device, ou D2D). O modelo contava com uma antena de aproximadamente 2.400 pés quadrados e capacidade estimada de transmissão superior a 120 Mb/s, com suporte a serviços completos de 4G e 5G, incluindo voz, dados e vídeo. A companhia destaca que a tecnologia embarcada reúne mais de 3.800 patentes e pedidos de patente.

Apesar da perda, a empresa afirmou que o custo do satélite deverá ser recuperado por meio de seguro. O BlueBird 7 seria o oitavo satélite da constelação em órbita baixa da Terra (LEO), parte do plano de expansão da operadora.

A falha também representa um revés para a Blue Origin, controlada por Jeff Bezos, em seu primeiro lançamento comercial com o foguete New Glenn. Até então, a AST SpaceMobile utilizava majoritariamente foguetes Falcon 9, da SpaceX, para colocar seus satélites em órbita, e buscava diversificar fornecedores com o novo veículo de maior capacidade.

Analistas avaliam que o impacto imediato deve recair mais sobre o cronograma de lançamentos do que sobre a produção dos satélites. O CEO da Quilty Space, Chris Quilty, afirmou que os equipamentos são produzidos em linha, o que reduz efeitos na cadência industrial. Já no caso do New Glenn, a expectativa é de paralisação entre três e seis meses para investigação das causas da falha.

O risco de atrasos nos lançamentos da Blue Origin pode afetar os planos da AST caso a empresa pretendesse depender majoritariamente desse foguete em 2026. Embora a companhia preveja o envio dos satélites BlueBirds 8 a 10 nas próximas semanas, não há clareza sobre os veículos lançadores que serão utilizados.

A AST SpaceMobile mantém a meta de atingir cerca de 45 satélites em órbita até o fim de 2026, com uma cadência de lançamentos prevista entre um e dois meses, apoiada por acordos com múltiplos provedores. Atualmente, a empresa afirma estar com produção em andamento até o modelo BlueBird 32 em sua unidade no Texas.

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