
A Método Telecom, que acaba de comprar os ativos fixos da Oi por R$ 60 milhões, explica que o negócio dobra a carteira de clientes e fortalece as ofertas da empresa, que está de olho especialmente em acordos com o setor público.
Parte dos planos foi apresentada durante o Fórum Telebras Conecta, realizado na quarta, 29/4, em Brasília. E eles passam por manter a conectividade nas mais de 7 mil localidades onde a Oi era a única operadora, mas também por turbinar serviços públicos por meio de soluções de inteligência artificial.
“Vamos assumir uma responsabilidade muito grande de manter o Brasil conectado nessas localidades onde a conectividade se dá através dessa rede que estamos adquirindo”, disse o diretor de Governo da Método, Alessandro Gondim.
Ele reconhece que o foco principal foi aumentar a musculatura da empresa. “A oferta pela Oi tem o aspecto de aumentar a nossa base de clientes. Vamos mais do que dobra os clientes atendidos hoje, uma vez que a Oi tem uma base muito grande. Esse foi o principal movimento”, disse Gondim a esta Convergência Digital
Ele lembrou que a Método já fez esse movimento antes. “Compramos a carteira da Unify, que era a antiga Siemens. Depois compramos a carteira da NEC, que saiu do Brasil. A gente tem essa experiência em adquirir carteiras para fazer um crescimento não orgânico, um crescimento através de aquisições.”
“Já estamos presentes no Brasil todo, com filiais em quase todos os estados, já somos uma operadora de STFC. E já prestamos serviço de triângulo. Claro, não na mesma escala da Oi. Então, a gente já tem a expertise para estar assumindo esse serviço. O que buscamos é ter mais clientes, mais contratos, mais cidades atendidas, expandir realmente a operação”, completou.
Como revelado pela Método, os planos também passam pela oferta de soluções de inteligência artificial para a prestação de serviços públicos. Ou seja, oferecer soluções digitais e parcerias com fornecedores de tecnologia, além do uso de data centers de alta disponibilidade. Gondim citou projetos já em andamento, como a implantação de soluções para tribunais estaduais, atendendo milhares de usuários em centenas de municípios, com base em infraestrutura compartilhada com a Telebras.
Um dos negócios apontados pela Método é atendimento ao cidadão com a adoção de modelos baseados em “agentes de IA”, que substituem a lógica tradicional de chatbots. Segundo o executivo, o foco passa a ser a jornada do usuário, com sistemas capazes de compreender contexto, direcionar demandas e até resolver solicitações de forma autônoma.
Segundo a empresa, o modelo convencional de atendimento automatizado é baseado em árvores de decisão rígidas, que frequentemente levam o usuário a percorrer múltiplas etapas sem sucesso. No novo modelo, o cidadão pode descrever sua necessidade de forma direta, e o sistema utiliza bases de conhecimento e ferramentas integradas para oferecer respostas mais precisas.
Além de maior flexibilidade, os sistemas baseados em IA devem atuar de forma proativa. Um exemplo é a possibilidade de sugerir serviços ao cidadão durante o atendimento, como campanhas de vacinação compatíveis com seu perfil, ou até iniciar interações automaticamente, sem necessidade de contato prévio.
A proposta, segundo ele, é levar serviços públicos diretamente ao usuário, com maior eficiência e personalização. “A ideia é mudar o modelo reativo para um modelo proativo, centrado na experiência do cidadão”, disse.


