
A nuvem híbrida continua sendo a arquitetura predominante nas empresas, ao mesmo tempo em que o avanço da IA e das práticas de FinOps aumenta a pressão por mais controle sobre custos, retorno sobre investimento e governança da infraestrutura em cloud. É o que mostra o relatório Flexera State of the Cloud 2026, distribuído no Brasil pela SC Clouds em parceria com a AbraCloud, com base em 753 tomadores de decisão e usuários de nuvem no mundo.
Segundo o estudo, 73% das empresas preferem nuvem híbrida. Entre organizações com até 5 mil colaboradores, esse modelo é adotado por 69%. Nas companhias com mais de 5 mil funcionários, o percentual sobe para 78%. O relatório também indica que os padrões de multicloud mudaram pouco: aplicações isoladas em ambientes distintos continuam sendo o principal motivo para adoção, enquanto estratégias como alocação planejada de cargas e workload bursting seguem menos frequentes.

IA ganha espaço e amplia exigências de gestão
Existe um avanço da IA generativa no ambiente corporativo. Segundo o levantamento, todos os respondentes afirmam usar GenAI de alguma forma, e 45% dizem fazer uso extensivo da tecnologia, acima dos 36% registrados no ano anterior. Já o uso de serviços de GenAI em nuvem pública subiu de 50% para 58%, a maior alta entre os serviços em cloud acompanhados pelo estudo.
A governança de IA começa a ganhar estrutura mais formal. Entre as grandes empresas, 47% já contam com equipe ou liderança dedicada a esse tema. Na prática, o avanço da IA passa a exigir não apenas mais capacidade de processamento e armazenamento, mas também coordenação entre tecnologia, finanças e áreas de negócio.
FinOps passa a medir valor de negócio
Um dos movimentos destacados é a mudança no foco das métricas de cloud. Em vez de concentrar a análise apenas em redução de custos, as empresas passam a medir com mais frequência o valor entregue ao negócio. Em 2026, 64% das organizações disseram mensurar o valor gerado para as unidades de negócio, alta de 12 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Já o uso de análise de custo por unidade chegou a 49%, ante 40% na edição anterior.
Esse movimento aparece também na estrutura de governança. Hoje, 63% das empresas já têm uma equipe dedicada de FinOps, contra 59% no ano passado. Além disso, 71% mantêm um Centro de Excelência em Nuvem (CCOE). O envolvimento das equipes de Supplier Asset Management subiu de 6% para 15%, enquanto a participação das unidades de negócio avançou de 20% para 25%.
Nuvem pública avança nas médias empresas
Embora a nuvem híbrida siga liderando, existe um avanço da nuvem pública, sobretudo entre pequenas e médias empresas. Segundo o estudo, 63% delas já operam cargas de trabalho em nuvem pública, alta de 8 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Nas grandes empresas, o indicador passou de 52% para 54%.

E 61% das médias empresas e 51% das grandes já armazenam dados em nuvem pública.
Fusões e aquisições elevam a complexidade
Há ainda uma preocupação com o impacto de fusões e aquisições sobre a arquitetura de cloud. Esse movimento ajuda a formar ambientes híbridos e multicloud mais complexos, com diferentes equipes escolhendo nuvens distintas para cargas de trabalho específicas e mantendo estruturas privadas por causa do custo de reconstrução ou recompra de aplicações. O resultado, diz o estudo, é uma complexidade muitas vezes não planejada, que exige governança mais intencional.
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